quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Galinhos, um paraíso no Rio Grande do Norte.

INTRODUÇÃO
Grupo Onça Pintada próximo a Pratagil,Galinhos,Rio Grande do Norte.

    No dia 15 de dezembro o grupo formado por Chagas,Francisco,Julio e Luis Mossoró viajou a Galinhos,município do Rio Grande do Norte, com objetivo de conhecer seus principais pontos turísticos, através da prática do Trekking, como o Farol, a Praia de Galinhos, Morro do André, Galos,Salinas naturais, Manguezais e realizar um passeio de barco pelo Rio Aratuá.

INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE GALINHOS.

    Devido à abundância do peixe galo na área, exercendo grande atração nos pescadores, muitos deixaram suas terras de origem e armaram suas tendas na localidade, dando inicio a pequenas aldeias. O povoamento surgiu desse poder de atração sobre os pescadores, seus moradores pioneiros, e da facilidade que a localidade tem em produzir salinas naturais. Nascia então o povoado de Galinhos, nome que surgiu naturalmente na boca do povo, numa referência ao pequeno tamanho dos peixes-galo existentes na área. A povoação desenvolveu-se a partir de uma produtividade econômica baseada no pescado de peixes-galo e de voadores; na produção farta de sal; e na cultura de algodão e sisal. No mês de Dezembro do ano de 1958, Galinhos alçou à condição de distrito do município de São Bento do Norte.
    A conquista da emancipação politica e administrativa de Galinhos veio através da Lei n° 2.838, de 26 de março de 1963, sancionada pelo então Governador do Estado, Dr. Aluízio Alves. Seu território foi desmembrado de São Bento do Norte, dando origem a um novo município do Rio Grande do Norte.
   A cidade de Galinhos está localizada no Litoral Norte do Estado, na chamada Região Salineira, limitando-se com os municípios de Jandaíra, São Bento do Norte, e Guamaré. Distante 166 quilômetros da capital, Galinhos tem uma área territorial de 342 quilômetros quadrados de extensão, onde vivem 2.138 pessoas, sendo 1.296 na zona urbana, e 842 no setor rural. Sua economia, atualmente, continua sendo baseada na produção pesqueira. O munícipio conta também com ocorrências minerais de Gipsita, Granado e Talco. O artesanato conta com a confecção de desenhos e figuras de areias coloridas em garrafas dos mais variados tamanhos.
    A força turística da região repercute no município através das salinas naturais que formam verdadeiras pirâmides; das praias de Galinhos, de Galos, do Farol, e dos Fernandes; e ainda nos passeios de charrete, e passeios de buggys nas dunas. Uma viagem de barco entre cidade e a Ilha de Protagil, também é muito agradável. As comidas típicas tem destaque na culinária regional com o peixe ao molho de coco.
A principal festa da cidade é a da sua padroeira, Nossa Senhora dos Navegantes, que acontece, todos os anos, no dia 31 de maio e é comemorada com muita religiosidade e animação.(Texto extraído do livro Terras Potiguares do autor Marcus César Cavalcante de Morais.)

BREVE DESCRIÇÃO DA EXCURSÃO.

     Saímos de Parnamirim por volta das 5:30h, paramos em João Câmara para tomarmos café e continuamos a viagem chegando as 8:30h em Galinhos,mas especificamente no Estacionamento Público de Pratagil, onde deixamos o carro. Em seguida fomos para o trapiche, de onde partimos de barco pelo rio Aruá até a cidade de Galinhos, sentindo o ar puro do litoral,observando no trajeto os manguezais,as salinas,parque eólico,muitas garças-azuis e algumas garças-brancas-pequenas se alimentando e outras pequenas embarcações.
Vista à distância do Trapiche de Galinhos,RN.
Trapiche de Galinhos,RN.

Integrantes do GOP caminhando em direção ao Farol de Galinhos,RN.

     Ao descermos no trapiche de Galinhos observamos muitas charrete, que são "os táxis" de Galinhos, nos informamos a respeito da localização do Farol, e começamos nossa caminhada as margens do rio, cheia de conchas,alguns maçaricos,com o vento forte soprando a nosso favor, e mais na frente encontramos um pescador que estava na sua labuta diária "tratando os peixes" e limpando os siris.
Vista parcial do Rio Aratuá e Parque Eólico de Guamaré,RN.

Grupo Onça Pintada praticando trekking em Galinhos,RN.

     Deixamos a margem do rio e seguimos pelas dunas já vendo a parte superior do farol de Galinhos. Pouco tempo depois chegamos a praia do farol, sendo acompanhados ao longo da trilha curiosamente por dois cachorros brincalhões e espertos. Era hora de apreciarmos o contraste da natureza com a engenharia humana e descansarmos um pouco, fazendo um lanche com nossos guias canídeos. Após muitas fotos partimos em direção a cidade de Galinhos, caminhando livremente seguidos pelos cães aparentes fiéis companheiros, com vento forte agora ao nosso encontro, observando embarcações no mar, formações rochosas na praias com algas verdes e marrons, cnidários como anêmonas e algumas ururbus-comuns sobrevoando.
Farol de Galinhos,construído originalmente em 1931, representa o oitavo farol erigido no Rio Grande do Norte.
GOP com nossos amigos canídeos de Galinhos em visita ao Farol de Galinhos.
Praia de Galinhos,RN.

     Fizemos uma rápida pesquisa em um restaurante na praia o almoço custava 60,00 reais, que segundo o funcionário dava para duas pessoas. Resolvemos entrar na área urbana,onde encontramos alguns bugueiros almoçando em um restaurante do tipo Self-service , com preço mais acessível e um ambiente tranquilo,almoçamos ali. Posteriormente relaxamos um pouco a sombra de árvores,em local ventilado no centro da cidade extremamente tranquila, sendo o silêncio quebrado apenas pelas charretes que são vistas com frequência em Galinhos, já que elas são uma "marca registrada" dessa pacata e limpa cidade.
Igreja Católica em reforma, Matriz N. Sra. dos Navegantes,Galinhos.

   Depois de alguns minutos descansando, continuamos nossa excursão voltando para o rio, seguindo margeando este que estava com muitas espécies de aves,como maçaricos,garças,algumas espécies de crustáceos como siris,caranguejos,cracas, plantas típicas do ecossistema manguezal como mangue-preto,mangue-vermelho,mangue-branco,etc.
Tesourinha Tyrannus savana.

Maçarico-galego Numenius phaeopus

Batuíra-de-bando Charadrius semipalmatus e Maçarico-rasteirinho Calidris pusilla.

Mangues em Galinhos,RN.

Aratu Goniopsis cruentata.

Siri Callinectes danae.

Concha quebrada, Molusco.

    A cada passo ficávamos mais próximo da belíssima formação de areia, o Morro do André também conhecido como Morro de Galos, duna enorme de onde é possível ver as primeiras casas da comunidade de Galos.
Integrantes do Grupo Onça Pintada em Galinhos,RN.
Grupo Onça Pintada caminhando as margens do Rio Aratuá em Galinhos,RN.
Morro do André ou Morro de Galos,Galinhos,RN.

Paisagem vista a partir do Morro do André,Galinhos,RN.

    Mas na frente encontramos ainda na praia o primeiro cemitério da comunidade de Galos,com muitas pedras expostas devido a ação dos ventos e do tempo e duas cruzes, e muitos morros de conchas. Adentramos a comunidade pesqueira e tranquila, parando em uma casa de alpendre ventilado, onde lanchamos e conversamos com um nativo sobre a realidade atual daquela comunidade comparando-a com a do passado.
Primeiro Cemitério de Galos na Praia de Galos,Galinhos,RN.
GOP no Trapiche de Galos,Galinhos,RN.

Parque Eólico de Galinhos,RN.

Vista à distância da Praia do Capim,Galinhos,RN.

    Depois de 40 minutos de "prosa" fomos para o trapiche de onde podemos ver a distância a praia do capim,outro grande parque eólico,a Pousada Peixe Galos, a maior pousada de Galinhos e algumas crianças brincando e banhando-se nas águas do rio.

Integrantes do GOP com nativo em barco no Rio Aratuá,Galinhos,RN.

Vegetação típica de Caatinga em Galinhos,RN.

Salinas naturais em Galinhos,RN.

     Em seguida partimos de barco de Galos rumo ao trapiche de Pratagil. No trajeto as belezas naturais são inúmeras, como a curiosa vegetação típica de Caatinga de um lado, no meio um manguezal e do outro lado vegetação de dunas,típica de restinga, um contraste belíssimo ampliado a distância com a presença de Salinas Naturais gigantes.
Espumas levadas pelo vento na rodovia RN-402 em Galinhos,RN.
Estacionamento de Pratagil, Galinhos,RN.

Chegamos no Estacionamento de Pratagil as 16:30 e nos despedimos da simpática e tranquila Galinhos partindo de volta para nossa terra, Trampolim da Vitória.


DICAS:

Quer visitar Galinhos? É fácil. Saindo a partir de Natal siga a rodovia BR-406 em direção a João Câmara, indo de carro até a Praia Pratagil,onde tem um Estacionamento. A partir daí o visitante tem como principal opção fazer a travessia do Rio Aratuá de barco que custa 3,00 reais por pessoa e dura em média 20 minutos.
Onde se hospedar? Uma ótima opção é a Pousada Peixe Galo que fica no Distrito de Galos em Galinhos. Entre em contato pelo tel: 55.84 3552 2001 - 55.84 3552 2026
Onde almoçar? Existem muitas opções,desde a beira mar com almoço custando em média 60 reais para duas pessoas até Restaurante Self-Service da Nanai com almoço custando 10,00 reais por pessoa. 

PARA CONHECER A FAUNA E FLORA VISTA NESSA EXCURSÃO OU EM OUTRAS,ACESSE:http://faunaefloradorn.blogspot.com.br/
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sábado, 7 de dezembro de 2013

LAJES: SERRA DO FEITICEIRO,SÍTIO ARQUEOLÓGICO,FAUNA E FLORA.

Grupo Onça Pintada e Trilheiros da Caatinga se preparando para começar a trilha.
 INTRODUÇÃO.
     No dia 03 de novembro de 2013 o grupo formado pelos integrantes Chagas,Elias,Francisco, Julio e Luís Mossoró, viajou ao município de Lajes com os objetivos de subir a Serra do Feiticeiro,conhecer o Sítio Arqueológico da Fazenda Santa Rosa,que apresenta arte rupestre das tradições Itaquatiara e Agreste,além de conhecer um pouco da fauna e flora local.
RESUMO DA HISTÓRIA DE LAJES-RN. 
     "Os primeiros sinais de povoamento da região ocorreram com a existência, nos idos de 1825, de uma fazenda pertencente a Francisco Pedro de Gomes Melo. A área de clima seco e agradável passou, cada vez mais, a receber famílias de trabalhadores da agricultura. A localidade de Lajes, por estar estrategicamente situada nos caminhos do sertão, desde o início tornou-se um importante ponto de encontro e descanso de boiadeiros e fazendeiros em viagens à procura de negócios, que aproveitavam a parada obrigatória para refrescar o comboio e completar a carga vendida. No ano de 1914 dois episódios mudaram a vida de Lajes: em julho aconteceu a chegada da estrada de ferro, impulsionando o desenvolvimento da região; e no dia 25 de novembro, pela lei nº360, sancionada pelo então Governador do Estado, Dr. Joaquim Ferreira Chaves Filho, foi criado o município de Lajes. A cidade mudou de nome no dia 30 de dezembro de 1943, passando a se chamar Itaretama,que significa região de pedras. Dez anos depois, em 11 de dezembro de 1953, voltou a se chamar Lajes. Lajes estar localizado na Região Central do estado, distante 125 quilômetros da capital Natal, estando a 199 metros de altitude, contando com área de 668,6 quilômetros quadrados de extensão."(Transcrito do livro: Terras Potiguares, da autoria de Marcus César Cavalcanti de Morais.).
BREVE DESCRIÇÃO DA EXPEDIÇÃO.
     Saímos de Parnamirim por volta das 5:00h da manhã e chegamos as 6:30h em Lajes, indo direto tomar café na Churrascaria Chimarrão ao lado do Posto de Combustível Odom. Em seguida encontramos o grupo Trilheiros da Caatinga que foram nossos guias durante toda excursão em Lajes. 
Vista parcial da Serra do Feiticeiro, Lajes,Rio Grande do Norte.
     Começamos nossa trilha indo para a Serra do Feiticeiro,uma imensa formação geológica com pontos mais elevados em torno de 400 metros, que recebeu esse nome porque segundo uma lenda disseminada no município há muitos anos atrás, durante o processo "colonização"(de extermínio) dos nativos(índios) por parte dos Europeus,habitou um velho índio que escapou dos invasores escondendo-se nesse complexo serrano. Dizem que o velho xamã era descendente dos Tapuias,e que lá ele conseguiu conviver de maneira pacífica com os colonos que ali chegaram, devido principalmente aos seus conhecimentos com ervas medicinais, a partir dos quais realizava rituais,incensos e porções que curavam animais dos criadores da região e pessoas, sendo por isso denominado como o Feiticeiro da Serra.
Início da trilha principal na Serra do Feiticeiro,Lajes-RN.
     Depois de alguns minutos em estrada pedregosa na zona rural de Lajes, chegamos a base da principal trilha que termina na capela, esta fica próximo ao local onde foi encontrado uma criança morta em 1903, que segundo moradores mais antigos era um menino que se chamava José Alexandrino, tinha cinco anos e acompanhava a mãe quando pastoreava cabras pelas redondezas da serra que se perdeu da mãe e após três dias de buscas, encontraram-no em estado de putrefação, deitado sob uma pedra,perdido havia morrido de sede e fome. Desde então os Lajenses reconhecem o local como solo sagrado.
Integrante do GOP de lado de Imburuna(Bursera leptophloeos) na subida da Serra do Feiticeiro.

     Começamos a trilha íngrime tranquilamente com os amigos do grupo "Trilheiros da Caatinga", onde observamos uma vegetação típica de Caatinga,com predominância de plantas de porte herbáceo e arbustivo,com a imensa maioria dos espécimes descopadas devido ao período de seca, uma adaptação da flora desse tipo de Caatinga, evitando a perca de água através da transpiração que ocorreria através dos estômatos presentes nas folhas. Os poucos exemplares que vimos com frequência que ainda não haviam perdido suas folhas, pertenciam a espécie Aroeira, e as únicas espécies vegetais que coloriam a acinzentada paisagem rupestre eram os Mandacarus,Xiquexiques,Facheiros,Coroas-de-frade, representantes da família Cactaceae e algumas "bromélias" da família Bromeliaceae.
Xique Xique Pilosocereus gounellei.
Coroa de frade,família Cactaceae.
Coroa de frade,família Cactaceae.
Representante típico da família Bromeliaceae.
      Quanto a fauna durante a trilha, a grande maioria dos animais não quis se apresentar, apenas a lagartixa comum e poucas aves,destacando-se a presença do periquito-da-caatinga. Durante a caminhada algumas paradas estratégicas para contemplar,fotografar e ouvir os guias falarem um pouco sobre a Serra do Feiticeiro,as lendas da região e suas aventuras ali vívidas, e pouco tempo depois chegamos a Capela que possui um cruzeiro fincado em sua frente pelos religiosos que todos os anos fazem romaria ao local sempre no dia 03 de maio.
Grupo Onça Pintada subindo a Serra do Feiticeiro com guias.
Capela que recebe romeiros todos os dias 3 de maio.
Grupo Onça Pintada e guias descansando em frente a capela.
     Parada obrigatória para fotos e muita prosa e depois caminhamos até a Pedra do Anjo onde teriam encontrado o corpo de menino morto em 1903. Dali voltamos pois tínhamos um roteiro extenso para completarmos durante aquele dia. De volta a base da trilha fomos ainda visitarmos o início da Mina Boa Vista, adentramos apenas uns 80 metros por questões de segurança, o que foi suficiente para viajarmos no tempo e imaginarmos como teria sido o período de auge naquela mina e em outras da região. 

Grupo Onça Pintada na pedra do anjo,local onde encontraram o corpo de menino em 1903.
Grupo Onça Pintada na entrada da Mina Boa Vista 1.
Grupo Onça Pintada em galeria subterrânea na Mina Boa Vista 1 com o guia Cícero.
     Em seguida partimos em direção a cidade, onde abastecemos o transporte com combustível e continuamos nossa expedição pela zona rural de Lajes, agora em direção as terras da Fazenda Santa Rosa. Durante o percurso de cerca de 21 quilômetros de até as terra da fazenda, vimos algumas aves como muitos Periquito-da-caatinga,Galos-de-campina,Rolinha,Concriz, etc, e uma vegetação "esbranquiçada", típica desse tipo de Caatinga,que literalmente quer dizer "Mata branca", o que de fato é verdade nessa época no ano, com a seca.
Integrante do GOP no leito do rio seco entre formações rochosas onde se encontra muita arte rupestre.
 GOP no leito do rio seco entre formações rochosas onde se encontra muita arte rupestre
     Ao chegarmos ao local combinado,deixamos os carros e seguimos caminhando ao longo do curso de um rio seco por cerca de dois quilômetros e meio em busca da área onde tem belíssimas formações rochosas com muita gravuras e pinturas rupestres.
     No trajeto a biodiversidade se apresenta de várias formas,tamanhos e cores, como plantas das famílias Cactaceae,trapiás,coroa-de-frade,facheiro,mandacaru,Bromeliaceae,bromélias rupícolas e terrestres,Euphorbiaceae,urtigas,favela,Fabaceae,Angico-vermelho,Jurema-preta,Catingueira,Anacardiaceae,Aroeira,entre outras espécies vegetais; pequenas libélulas,borboletas,abelhas,aranhas,representantes típicos do diversificado grupo dos artrópodes; aves como Carcará,Gavião Carijó, Urubus, Rolinha-branca, Rolinha Cascavel,Rolinha-Vermelha, Concriz, Galo de Campina, Casaca de couro, Bem-ti-vi,além de algumas aves não identificadas por nós; alguns representantes dos répteis como lagartixa-comum,lagartixa-do-lajedo, lagartixa-da-caatinga, calanguinho e o maior presente da natureza durante a trilha a presença de uma belíssima cascavel com cerca de 1,30m de comprimento.
Representante típico da família Bromeliaceae.
Xique Xique Pilosocereus gounellei; Família:Cactaceae.
Quipá Tacinga inamoena; Família:Cactaceae..
Aroeira-do-Sertão Myracrodruon urundeuva.
     O integrante do Grupo Onça Pintada Francisco estava tentando fotografar um calanguinho na borda da vegetação quando de repente olhou para uma pedra próximo onde estava e viu a cascavel repousando numa cavidade entre as pedras, com uma teia de aranha próximo a entrada. Com objetivo de analisarmos suas condições físicas(saúde) e de fotografarmos tiramos cuidadosamente ela sob a orientação do Biólogo. O que vimos foi uma serpente com cerca de 1,30m,bem gorda,forte,saudável(aparentemente) com idade estimada em aproximadamente 4 anos. após algumas fotos ela voltou tranquilamente para sua "casa" sem manifestar nenhum sinal de stress ou agressividade.


Calanguinho forrageando Cnemidophorus ocellifer.
Lagartixa da Caatinga Phylopezus  periosus escondido em cavidade rochosa.

Lagartixa de lajedo Tropidurus semitaeniatus.
Cascavel Crotalus durissus.
     Mas na frente começamos a ver e analisar a enorme quantidade de desenhos e pinturas rupestres registradas nas formações rochosas que margeiam o leito do rio. Até onde fomos presenciamos principalmente a presença de arte rupestre da Tradição Itaquatiara, com muitas gravuras e inscrições em baixo relevo feitas nas rochas, são desenhos,linhas,círculos, de difícil interpretação até mesmo para os arqueólogos, e algumas gravuras foram feitas em baixo relevo e posteriormente foram pintadas. 
Seria a tentativa de representar a figura humana? Arte rupestre,Tradição Itacoatiara.

Se for um hominídeo por que será que ele foi representado com uma mão tão grande?
As gravura mais enigmática que vimos: seria a tentativa da representação de várias pessoas em plena Tradição Itacoatiara?

Inscrições da Tradição Itacoatiara. Seria uma forma de contagem? ou Seria apenas marcas deixadas por objetos sendo refinados?

Arte rupestre da Tradição Itacoatiara.

Arte rupestre da Tradição Itacoaatiara em primeiro plano e pinturas da Tradição Agreste em segundo. Figura antropomorfa.

Arte rupestre da Tradição Agreste. Animal quadrúpede com longo focinho?

Arte rupestre das Tradições Agreste e Itacoatiara. No centro Ave feita em baixo relevo e pintada posteriormente.
     Apesar da predominância dessa tradição nesse Sítio Arqueológico, existe também algumas pinturas rupestres da Tradição Agreste, representadas ali através das marcas de carimbo de mãos,grandes aves, figura antropomorfa isoladas,figuras zoomorfas isoladas, todas pintadas com coloração avermelhada. Após registrarmos tudo que foi possível caminhamos de volta debaixo de "sol escaldante" até o ponto inicial da trilha, onde nos hidratamos e depois seguimos para a cidade para almoçarmos. Após almoçarmos no "restaurante O Cabrito do João" às margens da BR-304 uma comida muita gostosa, voltamos a zona rural de Lajes para conhecermos um túnel centenário que foi construído cortando uma serra, com comprimento de aproximadamente 150 metros,talvez uns 4 metros de altura e cerca de 3m de largura.

Integrante do GOP na entrada do túnel da Ferrovia Lajes/Cerro Corá que nunca funcionou.
Morcegos no teto do Túnel da Ferrovia Lajes/Cerro Corá..
     O Túnel fica na Fazenda Arara distante cerca de 12 quilômetros da zona urbana de Lajes. Ele faria parte de uma enorme ferrovia que ligaria Lajes a Cerro Corá e consequentemente também a Caicó, mas ela nunca funcionou como estava planejado inicialmente. Segundo o Historiador Cícero do grupo Trilheiros da Caatinga, problemas financeiros levaram o Governo Federal a rescindir o contrato com a empresa construtura inglesa Great Western em 1920, assumindo ele as obras que foram abandonas com o passar do tempo. É um local fascinante, de beleza rústica, que mostra claramente como o ser humano tem o poder de modificar o meio ambiente em busca de facilitar sua vivência, já que por exemplo iria diminuir a dificuldade de escoamento de mercadorias e talvez facilitar o deslocamento de pessoas a diferentes regiões do nosso estado. Após atravessarmos o túnel chegamos até a construção da estrutura de pontilhão feita provavelmente com pedras extraídas do próprio túnel, com quase 100 anos "o paredão" continua intacto, o integrante Elias do Grupo Onça Pintada comentou: "é impressionante como estar ileso, parece até que foi feito ontem, tudo isso tem a grande contribuição do clima quente da região que a mantém bem conservado até hoje em termos estéticos".
Integrante do GOP sobre o pontilhão com cerca de 100 anos da ferrovia Lajes/Cerro Corá.
     O Clima é quente mas no momento da nossa estada ali o  tempo mudou, Com o crepúsculo, rapidamente começaram a se formar grandes nuvens escuras que vinham da região do Seridó, acompanhadas de relâmpagos e trovões, já era hora de encerrarmos nossa expedição, mesmo faltando conhecer a casa de pedra que ocorre ali perto. O tempo parecia ter sido programado minuciosamente,pois ao entrarmos no carro de apoio, as nuvens descarregaram,chuva forte, ocorrendo assim condensação, alegrando o final daquela grande Expedição. As 18:00h chegamos na cidade de Lajes, era o fim de uma grande aventura guiada pelo grupo "Trilheiros da Caatinga" que não tem medido esforços em conhecer e divulgar a cidade de Lajes, além de guiar grupos que tenham interesse em conhecer a cultura,história e natureza do município de Lajes. Depois de pagarmos o valor estabelecido pelos guias, nos cumprimentarmos, despedimo-nos felizes e convictos de termos alcançados nossos objetivos, a fim de divulgar mais um município do Rio Grande do Norte, sendo essa uma de nossas metas, mostrar o que cada município do RN tem de melhor para o mundo conhecer, valorizando nossa biodiversidade,nossa história e cultura.                        

DICAS:
Quer conhecer a Serra do Feiticeiro, Sítio Arqueológico da Fazenda Santa Rosa, Túnel da Fazenda Araras? Entre em contato com os guias: Cícero pelo tel:9603-5473; Leandro Souza pelo tel: 9938-0853 ou Eudes pelo tel: 9600-1659.
Onde almoçar uma comida gostosa em Lajes? No Restaurante O Cabrito do João" às margens da BR-304.
AGRADECIMENTOS ESPECIAIS:
O Grupo Onça Pintada agradece a todos que fazem o grupo Trilheiros da Caatinga, em especial aqueles que estiveram conosco nessa Expedição: Cícero,Leandro Souza,João Augusto e Ewerton. também não podemos esquecer do motorista do carro de apoio que esteve o dia inteiro conosco, e a todas as pessoas hospitaleiras que conhecemos em Lajes.



PARA CONHECER A FAUNA E FLORA VISTA NESSA EXCURSÃO OU EM OUTRAS,ACESSE:http://faunaefloradorn.blogspot.com.br/
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