quinta-feira, 12 de junho de 2014

TURISMO EM LUÍS GOMES,TRILHAS NA REGIÃO DO RELO.

Grupo Onça Pintada(GOP) em visita rápida a cachoeira do Pinga em Portalegre, durante a viagem pra Luís Gomes,Rio Grande do Norte.
     Nos dias 24 e 25 de maio de 2014 o grupo formado por Luís Mossoró, Júlio, Elias, Chagas e Francisco viajou ao município de Luís Gomes, com os objetivos de conhecer e registrar principalmente as belezas naturais da área conhecida como "Cachoeira do Relo", casa de farinha típica do município, o Museu “Centro de Cultura Escravo Jacó” e o Alto do Tabor, que foi o palco principal dos rituais de oração e penitência da Vila São Bernardo, onde as pessoas se flagelavam pedindo a Deus perdão por seus pecados e um bom inverno, pois os rituais aconteciam em épocas de seca.

RESUMO DA HISTÓRIA DE LUÍS GOMES,RIO GRANDE DO NORTE.

     "O Tenente-Coronel Luís Gomes de Medeiros, natural de Caicó, chegou à região no ano de 1756, com o objetivo de edificar raízes e de construir o futuro. Ao chegar a localidade, chamada de Serra do Senhor Bom Jesus, o Tenente Coronel construiu uma pequena casa, a primeira da futura povoação, e iniciou, em caráter experimental, um plantio de milho, feijão, mandioca e árvores frutíferas. Antes de regressar a Caicó, Luís Gomes de Medeiros passou a responsabilidade de cuidar das recentes plantações para seu fiel escravo Jacó. O escravo Jacó, trabalhador leal, deu conta do recado. Quando retornou a Serra do Senhor Bom Jesus, um ano depois, o Tenente-Coronel encontrou os frutos brotando da terra e o resultado do pioneiro trabalho sendo garantido pela fertilidade dos verdes campos da região. 
     As sementes para a fundação de uma nova povoação estavam definitivamente lançadas pela penetração no Alto Oeste Potiguar do obstinado caicoense. Não se sabe as razões que levaram Luis Gomes de Medeiros a deixar sua terra natal para aventurar-se nos rumos do desconhecido, nos distantes caminhos do extremo oeste. O povoamento da Serra do Senhor Bom Jesus foi se tornando realidade e mais exploradores foram chagando à localidade, construindo suas moradias, cultivando o solo, praticando a caça abundante, fazendo crescer o comércio local e avançando para outras áreas. Com o passar dos anos, os moradores da localidade decidiram mudar o nome do povoamento para Luís Gomes, numa merecida homenagem ao desbravador caicoense. Em 5 de julho de 1890, pela Lei nº 31, Luís Gomes foi desmembrado de Pau dos Ferros e tornou-se município do Rio Grande do Norte."
GOP na trilha que dar aceso a cachoeira do Pinga em Portalegre, durante a viagem pra Luís Gomes,Rio Grande do Norte.
Cachoeira do pinga em Portalegre,RN.


BREVE DESCRIÇÃO DA EXCURSÃO

     Partimos de Parnamirim as 4 horas da manhã no dia 24 de maio,pela Rodovia BR-101 passando pelo território dos municípios de Macaíba, deixando-a em seguida continuando nossa viagem pela Rodovia BR-304 atravessando o território de Santa Maria, Riachuelo, Caiçara do Rio dos Ventos, Lajes, Angicos, onde paramos para  o desjejum, tomando café com vista para o Pico do Cabugi e em seguida continuamos viagem por essa rodovia até Assú onde adentramos pela rodovia estadual RN-233 e pela BR-226 até Campo Grande,de onde seguimos passando por Caraúbas, Olho d´Água dos Borges, Umarizal, Riacho da Cruz, Viçosa, Portalegre, na qual paramos para tomar um banho na cachoeira do pinga, depois subimos e descemos a Serra de Portalegre, chegando ao município de Francisco Dantas,  parando neste para analisar com moradores locais a possibilidade de visitar um Sítio Arqueológico na Serrinha dos Campos, mas fomos informados que o acesso a Comunidade de Cachoeirinha estava bem difícil por causa das últimas chuvas, então resolvemos não arriscar pois estávamos em carro sem tração nas quatro rodas, nos dirigimos para a próxima cidade, Pau dos Ferros, onde paramos para almoçar e fotografar a Igreja Católica Matriz e alguns prédios que apresentam belíssima arquitetura. 

Igreja Católica Matriz de Pau dos Ferros fotografada durante a viagem pra Luís Gomes,RN.

Vista parcial da principal Praça de Pau dos Ferros, fotografada durante a viagem pra Luís Gomes,RN.
Prédio com arquitetura belíssima,sede atual da Prefeitura de Pau dos Ferros,RN.
     Após o almoço partimos pela rodovia BR-405 cortando os municípios de Rafael Fernandes, José da Penha, Major Sales, chegando ao marco Zero da BR-405, na divisa entre os estados do Rio Grande do Norte e Paraíba, e em fim começamos a subir a Serra de Luís Gomes, chegando a cidade de Luís Gomes as 14:00h. Nos informamos e fomos direto para região conhecida como Cachoeira do Relo, na qual já nos aguardava o dono de parte da área do Relo e guia local,Givaldo, popularmente conhecido como ‘Galego do Relo’. 
      
Alguns integrantes do GOP prontos para iniciarem a trilha na cachoeira do relo,Luís Gomes,RN.
Paisagem espetacular observada a partir do Mirante no Bar do Relo, área conhecida como cachoeira do relo,Luís Gomes,RN.
     Ao chegarmos ao Bar do Relo, fomos bem recebidos e o Galego nos falou que existem três trilhas principais na área, a trilha das Cachoeiras, a trilha das mangueiras, e a trilha do Minério de Ferro. Em seguida ele nos orientou a fazermos a primeira trilha, a trilha da Cachoeiras.
Grupo Onça Pintada no início da trilha(se você vacilar,você se "rela") que dar acesso a cachoeira do relo,Luís Gomes,RN.
      Iniciamos a mesma com muito cuidado por causa do grande declive sem apoio, em terreno pedregoso e escorregadio, daí decorre o nome popular "Relo", pois se você vacilar, escorrega facilmente e se "rela" literalmente. Ainda não existe infraestrutura de apoio na descida do Bar do Relo até a região das Cachoeiras, dificultando o acesso a algumas pessoas. 
Grupo Onça Pintada na trilha da cachoeira do relo,Luís Gomes,RN.
Integrante do GOP ao lado de uma queda d´água na região da cachoeira do relo,Luís Gomes,RN.
Cachoeira da Noiva,na região da cachoeira do relo,Luís Gomes,RN.
Integrante do GOP na cachoeira do relo,Luís Gomes,RN.

     Já em baixo, no canyon, seguimos o curso do riacho, observando e registrando as quedas d´água, as belíssimas formações geológicas, a fauna e flora local. A primeira cachoeira é a conhecida localmente como "Cachoeira da Noiva", ambiente muito bonito. Nessa trilha, ao longo do curso d´água ocorrem muitas pequenas quedas d´água naturais,cercadas por grandes paredões rochosos com vegetação nativa,onde residem animais nativos,constituindo belíssimas paisagens, comprovando assim, o grande potencial turístico da região do Relo para a prática do Ecoturismo,Geoturismo,Turismo de aventura e Turismo pedagógico.
O Principal ponto turístico natural de Luís Gomes, a Região do Relo,área rica em minérios e de grande biodiversidade, com grande potencial para a prática do Ecoturismo,Geoturismo,Turismo pedagógico e de Aventura.
Alguns representantes da fauna local observados durante as trilhas, destacando-se a ameaçada águia-chilena,conhecida localmente por gavião-pé-de-serra.
Alguns representantes da flora local observadas facilmente durante as trilhas.
      Ao por do sol estávamos de volta ao mirante do Bar do Relo, uma visão espetacular da região do Relo. Combinamos com o galego voltarmos no dia seguinte para fazermos as outras trilhas e seguimos em direção a cidade onde ficamos hospedados na pousada do Deda. A noite saímos para o centro da cidade para jantarmos e interagirmos melhor com a comunidade local. 
Grupo Onça Pintada na trilha das Mangueiras, região da cachoeira do relo,Luís Gomes,RN.
    No domingo de manhã(25/06) as 6:30h o guia galego do relo juntou-se a nós e nos acompanhou nas trilhas das Mangueiras e do Minério de Ferro, sempre expondo seu conhecimento popular a respeito da fauna e flora local. A trilha das mangueiras é a que demonstrou ser de mais fácil deslocamento, sendo parte dela no curso do riacho com menos rochas expostas e a outra parte no interior da floresta, terminando em uma área mais aberta com a presença de grandes mangueiras velhas. Ao longo da trilha vimos e ouvimos algumas aves  como um enorme Sócó-boi,Bem-te-vi rajado,rolinhas,sibite,entre outras, e vimos também muitas pegadas de mamíferos, como raposa, gato-do-mato e guaxinim. Segundo o  guia, nesse local bem cedo é possível ver os bandos de macaco-prego que vem até a área de floresta próxima, onde tem muitas espécimes da palmeira Catolé, da qual eles pegam os frutos e levam pra locais específicos dentro da mata onde os quebram utilizando ferramentas(pequenas pedras), consumindo a "carne das amêndoas.".
Grupo Onça Pintada com o guia "Galego do Relo" na trilha do Minério de Ferro em Luís Gomes,RN.

    Após essa trilha, caminhamos de volta e ele nos conduziu por um atalho para chegarmos mais rápido a trilha do minério de ferro. A trilha do Minério de Ferro é extensa e de difícil acesso, onde tivemos atenção dobrada para não nos "relarmos". Caminhando sobre um dos enormes "paredões" que formam o vale da região(canyon) chegamos a uma área bem aberta, de onde podemos presenciar uma cena espetacular da luta pela sobrevivência na luta entre uma águia-chilena(predador) e uma serpente(presa).
"Paredão rochoso" onde observamos uma espécime de águia-chilena capturando,matando e comendo uma serpente.
    No início o guia parou e apontou para o local exato onde aquela ave de rapina faz seu ninho, e de repente ela saiu de uma escarpa rochosa e começou a sobrevoar a área vocalizando, e num instante esta voou adentrando na vegetação e na sequência saiu desta voando com uma serpente nas garras, pousando com ela sobre uma parte do paredão. Já estávamos satisfeito com o que vimos, mas a luta não havia acabado, a serpente não se deu por vencida, e num instante por algum motivo ela se livrou das garras da ave e caiu do precipício, livre do perigo por raros segundos, em um voo rápido a águia capturou o réptil novamente, levando-a para o mesmo local onde começou a matá-la, garantindo a refeição do dia. Depois desse presente da natureza, caminhamos rumo a área mais rica em minério da região, principalmente em ferro.
GOP na área conhecida por Minério de ferro, devido ao grande afloramento rochoso riquíssimo nesse metal.
Grupo Onça Pintada com o guia "Galego do Relo" no final da trilha do Minério de Ferro,Luís Gomes,RN.
Afloramento rochoso riquíssimo em ferro, com curso de água,Luís Gomes,RN.
fragmento de rocha rica em ferro sofrendo o processo de "encebolamento".
     No percurso o guia nos mostrou de longe a entrada de algumas grutas que ocorrem na área, cercadas por densa vegetação. No fim da trilha, no grande afloramento de minério de ferro, o guia nos mostrou na rocha uma "marca" que lembra o casco de  um mamífero da ordem Artiodactyla(exemplo:gado), mas acreditamos ser impossível devido ao tipo de rocha. Ele nos falou também que os norte-americanos vieram a essa área e fizeram um levantamento geológico-mineralógico e manifestaram interesse em explorar o minério de ferro nesse local, mas ele recusou a proposta dos americanos, pois a porcentagem do valor total rendido pelo minério era muito pequena para o proprietário.
Grupo Onça Pintada na trilha da cachoeira do relo,Luís Gomes,RN.
Grupo Onça Pintada na trilha da cachoeira do relo,Luís Gomes,RN.
     Voltamos por dentro do riacho, caminhando sobre blocos de rochas de diversos tamanhos, formas e cores, observando a presença de muitos insetos lepidopteros(borboletas e mariposas) se alimentando de sais minerais presente sobre as rochas e no solo, como também muitos Odonatos(libélulas) que procuram essas áreas para colocarem seus ovos e acasalarem e ouvindo o canto de poucas aves. A vegetação é bastante diversificada com a presença de muitas árvores de grande porte, como Angicos-branco,Angico-vermelho, Mulungu, Umburana, Cedro, Oiticica, Craibeira, etc.
Um pouco da diversidade de espécies de borboletas e mariposas observada durante as trilhas, relo,Luís Gomes,RN.
Alguns representantes da flora local observadas durante as trilhas na região do relo, em Luís Gomes,RN.
    No meio do trajeto, paramos em um poço conhecido localmente como o poço do padre que recebeu esse nome porque o Padre Raimundo Osvaldo Rocha, em uma de suas peregrinações na região do Relo, cismou de atravessar um poço que havia no caminho. Não sabia ele que o mesmo tinha grande quantidade de areia acumulada, o que fez com que o Padre ficasse atolado e precisasse de ajuda para sair dali. Após esse acontecimento o local foi batizado com o nome 'Poço do Padre'.
Poço P-22 com água bem fria,ótimo para um banho revigorante,em Luís Gomes,RN.
     Mas na frente paramos para nos banhar no poço P-22 que recebeu esse nome porque no centro dele a profundidade é em média de 22 metros. Foi um banho revigorante, a água bem fria, nos deixou renovados após essa manhã inteira de trekking, prontos para enfrentarmos os 435 quilômetros de rodovias que separam a cidade de Parnamirim de Luís Gomes. 
De volta a cidade a cidade o galego nos levou para conhecer uma casa de farinha  do município, que estar desativada a alguns anos, mas ainda com vários objetos típicos da produção de farinha, como também outros utensílios úteis ao homem do campo.
GOP visita casa de farinha abandonada em Luís Gomes,RN.
Moenda de casa de farinha abandonada em Luís Gomes,RN.
Igreja Católica de Luís Gomes,RN.
      Em seguida ele nos conduziu até a praça na frente da Igreja Católica Matriz nos mostrando a placa que comprova a cavalgada que ele e sua filha participou de Luís Gomes a Mossoró,alusiva a passagem do bando de Lampião nas cidades da região do Alto Oeste Potiguar,  quando veio  atacar a cidade de Mossoró. Depois nos conduziu a um restaurante muito aconchegante na cidade, onde nos despedimos dele e almoçamos uma comida bem gostosa, com direito a linguiça da terra, feita no próprio restaurante e aprovada por todos os integrantes do Grupo Onça Pintada. Com as energias renovadas e muitas boas lembranças de Luís Gomes, infelizmente era hora de partirmos de volta para nossos lares, com muita saudades de tudo aquilo que vimos e vivenciamos em Luís Gomes, começamos as 14:00h nossa jornada de volta à Parnamirim, terra desses trekkeiros curiosos, era o fim de nossa excursão, as 20:30h chegamos as nossas casas.
Assim como na ida,na volta de Luís Gomes, passamos pela cidade de Portalegre,RN.

DICAS
Quer conhecer as Trilhas do Relo ou Cachoeira do Relo? Entre em contato com o guia Givaldo, popularmente conhecido como ‘Galego do Relo’pelo telefone: (84)9637-2753 .
Onde tomar café,almoçar ou jantar? No Restaurante Central que fica na rua Prefeito Francisco Fontes,119,Luís Gomes,RN. telefone: (84)9944-8699.
Onde se hospedar? Uma opção, Pousada do Deda.
PARA CONHECER A FAUNA E FLORA VISTA NESSA EXCURSÃO OU EM OUTRAS,ACESSE:http://faunaefloradorn.blogspot.com.br/
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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

PONTOS TURÍSTICOS DE CAMPO REDONDO E SANTA CRUZ,RN.

Grupo Onça Pintada na parede da Barragem do Rio Trairi.
INTRODUÇÃO
   No dia 16 de fevereiro de 2014 o grupo formado pelos integrantes Francisco,Elias,Julio e Luís Mossoró viajou aos municípios de Campo Redondo e Santa Cruz com os objetivos de visitar e fotografar o “monumento alusivo a resistência sertaneja à Intentona Comunista”,praticar trekking no leito seco do rio trairi conhecendo sua  biodiversidade,conhecer o Sítio Arqueológico do Letreiro e a ponte que foi arrastada pela grande enchente de 1981, visitar o Museu Rural Auta Pinheiro Bezerra e o Alto de Santa Rita de Cássia, onde está localizada a maior imagem católica do mundo, medindo 56 metros de altura.
RESUMO DA HISTÓRIA DE CAMPO REDONDO,RIO GRANDE DO NORTE.
   “A existência de uma fazenda de gado chamada Campo Redondo, situada numa das ramificações da Serra do Doutor, na região do Trairí, já era sabida nos idos de 1894. O proprietário da fazenda, Francisco José Pacheco, decidiu construir uma capela em homenagem a Nossa Senhora de Lourdes, no ano de 1917, em virtude do sucesso na plantação de algodão e do êxito das lavouras.
Cinco anos depois, em 1922, Campo Redondo já tinha feira e uma rua única com trinta casas, começando a ganhar evidências de povoado. Em 1935, a capela foi substituída por uma igreja maior, e no ano de 1938, Campo Redondo chegou à condição de vila pertencente ao município de Santa Cruz. A vila passou a se chamar oficialmente de Serra do Doutor em 30 de dezembro de 1943, voltando depois ao nome da propriedade original que, de fato, aglutinou a população no local: Campo Redondo.
Em 26 de março de 1963, através da Lei número 2.855, sancionada pelo então Governador do Estado, Dr. Aluísio Alves, o lugarejo foi desmembrado de Santa Cruz, e tornou-se o município de Campo Redondo, com autonomia Política e administrativa.
Situado na região do Trairi, Campo Redondo está a 136 quilômetros de distância da capital, na altitude de 471 metros acima do nível do mar, contando com uma área de 214 quilômetros quadrados de extensão, onde residem 9.092 pessoas, sendo que 4.769 estão no setor urbano, e 4.323 na zona rural. Campo Redondo limita-se com lajes Pintadas, São Tomé, Currais Novos, Coronel Ezequiel e Santa Cruz.
   A economia local é voltada para a agricultura com grande produção de milho. No município ocorrem incidências minerais de Água Marinha. O artesanato apresenta objetos confeccionados com fibra de sisal, e produtos de cerâmica. O município é cortado pelo Rio Trairi e a cidade conta com o Açude Mãe D'água, que tem capacidade de armazenar 2 Milhões de metros cúbicos d'água. A festa da padroeira do município, Nossa Senhora de Lourdes, no dia 21 de novembro, é o principal evento de natureza social e religiosa de Campo Redondo.”(Transcrito do livro:Terras Potiguares,organizado por Marcus César Cavalcanti de Morais).
RESUMO DA HISTÓRIA DE SANTA CRUZ,RIO GRANDE DO NORTE.
   “A presença de colonizadores na região, primitivamente habitada pelos índios Tapuios, no século XVIII, representou o início de uma atividade pastoril. Mas esse esforço colonizador desenvolvido nas ribeiras do rio Potengi e do rio Trairi, não conseguiu agrupar em núcleo populacional. Somente em 1831, José Rodrigues da Silva, proprietário da Fazenda Cachoeira, na localidade Cachoeira, aliou-se aos irmãos, João da Rocha e Lourenço da Rocha, novos donos de terras na localidade situada às margens do rio Trairi e deram início à fundação da povoação de Santa Rita da Cachoeira. A escolha do novo local para a implantação do povoado foi feita porque na localidade de Cachoeira não havia água suficiente para suprir as necessidades de uma população. Logo muitas casas surgiram, de forma alinhada, em torno da capela construída em homenagem a Santa Rita de Cássia, da qual José Rodrigues era devoto.
O povoado foi mudando de nome com o passar dos anos. Depois de Santa Rita da Cachoeira, mudou para Santa Cruz do Inharé, depois para Santa Cruz da Ribeira do Trairi e por último, para Santa Cruz. Há uma lenda que justifica a origem da vinculação Cruz aos nomes dados ao lugar, contada em diversas versões pelos habitantes do município: um missionário, ouvindo falar que os habitantes das Ribeiras do rio Trairi sofriam as inclemências das secas, bem como ataques de animais ferozes e que entre eles havia lutas e rivalidades, resolveu visitar o povoado. Chegando lá, mandou fazer uma grande cruz com os ramos de uma árvore chamada inharé. Em frente a capela, um enorme buraco foi aberto e o missionário ordenou que nele todos jogassem suas armas, cobrissem o buraco com terra e ali fincassem a cruz. Então, disse o missionário: “Virá um padre, muito estimado, que mandará retirar esta cruz para um morro; não consintam, pois esta é a Santa Cruz do Inharé”. Contam ainda que a árvore inharé era sagrada e que atraía toda sorte de males quando seus ramos eram quebrados. Depois que o missionário ergueu a cruz de Inharé, os malefícios cessaram, as fontes jorraram água e os animais tornaram-se mansos.
   No ano de 1835, com o nome de Santa Cruz da Ribeira do Trairi, tornou-se distrito pela Lei número 24, de 27 de março de 1835. A luta para transformar o distrito em município contou com a participação fundamental do padre Antônio Rafael Gomes de Melo, do Tenente Coronel Ivo Abdias Furtado de Mendonça e Menezes e dos fazendeiros Trajano José de Faria e Félix Antônio de Medeiros.
   Desmembrado do município de São José de Mipibu, no dia 11 de dezembro de 1876, o distrito de Santa Cruz da Ribeira do Trairi, tornou-se município do Rio Grande do Norte, com o nome de Santa Cruz.”

BREVE DESCRIÇÃO DA EXCURSÃO.
      Partimos de Parnamirim as 5 horas da manhã pela Rodovia BR-101 passando pelo território dos municípios de Macaíba, deixando-a em seguida continuando nossa viagem pela Rodovia BR-226 atravessando o território de Bom Jesus,Senador Eloy de Souza,Serra,Tangará, até chegarmos a Santa Cruz, onde paramos para o desjejum, tomando café com vista para o Complexo Turístico-religioso Santa Rita de Cássia.
Monumento alusivo a resistência sertaneja à Intentona Comunista que ocorreu em 1935,na Serra do Doutor.
   Bem nutridos partimos para o próximo município daquela rodovia, Campo Redondo, com a primeira parada na subida da Serra do Doutor,especificamente no “S”,na comunidade Malhada Vermelha,onde observamos um monumento alusivo a resistência sertaneja à Intentona Comunista. Buscando expandir a revolução comunista para o interior do estado do Rio Grande do Norte, o exército vermelho avançava pelo interior do estado, quando encontrou a resistência de civis e militares da região, que já estava entrincheirados preparados para o conflito, dispersando os revoltosos, no dia 25 de novembro de 1935, durante episódio que ficou conhecido como “O Fogo na Noite da Serra do Doutor”.
Igreja Católica no centro de Campo Redondo,Rio Grande do Norte.
   Depois partimos em busca da região do Letreiro e na cidade de Campo Redondo quando estávamos nos informando a respeito da localização exata daquela, encontramos com o Senhor Cláudio(Irmão Cláudio) um grande conhecedor da região,fauna e flora nativa e guia local experiente. Ele nos acompanhou nessa aventura reveladora das belezas naturais daquele município.
Grupo Onça Pintada com o guia Cláudio na região do Letreiro,Campo Redondo,RN.
  Chegando a área conhecida pelos campo-redondenses como Letreiro,que recebeu esse nome devido a presença de pinturas rupestres em uma pedra localizada próximo ao paredão da represa, podemos ouvir uma imensa variedade de cantos de aves. O Sítio arqueológico Letreiro possui arte rupestre da tradição agreste,são pinturas, de cor vermelha, com várias manchas de tintas espalhada na pedra, alguns grafismos abstratos,figuras geométricas,figuras humanas atravessando uma ponte primitiva e figuras de animais.
Parte da pedra do letreiro com pichação e pinturas rupestres,Campo Redondo,RN.
Pintura rupestre da tradição agreste. Percebe-se pessoas atravessando um tipo de ponte sobre o rio trairi.
Figuras de animais,grafismos zoomorfos,na pedra do Letreiro,Campo Redondo,RN.
Símbolos abstratos; tradição agreste; Letreiro,Campo Redondo,RN.
   Infelizmente esse Patrimônio histórico-cultural encontra-se depredado com pichações e ameaçado como a maioria dos Sítios arqueológicos nos Brasil que não recebem nenhuma política preservacionista concreta, ficando expostos constantemente sem fiscalização e punição dos vândalos que nem ao menos respeitam a expressão artística de nossos antepassados,através da qual poderíamos no mínimo aprender um pouco mais sobre sua cultura.
Formações rochosas no curso do rio trairi,Letreiro,Campo Redondo,RN.
Pedra da Tartaruga,Letreiro,Campo Redondo,RN.
Suposta marca de pé,Letreiro,Campo Redondo,RN.
    Em seguida podemos observar atentamente o leito do rio trairi seco com pouco poços com água,pedras de diferentes formas,tamanhos e cores,grutas com morcegos,uma vegetação típica de Caatinga, com mata ciliar predominantemente arbustiva-arbórea, em boa parte do trajeto que percorremos durante cerca de duas horas e meia de trekking,caminhando a maior parte do tempo sobre rochas e em alguns momentos escalando algumas formações rochosas mais íngremes.
Representação da avifauna da região do Letreiro em Campo Redondo,RN.
Lagarto Cnemidophorus ocellifer
Sapo Rhinella granulosa.
Morcego Peropteryx sp.
   A diversidade da avifauna local nos chamou bastante atenção, pois entre 7:00h e 12:00h observamos cerca de 30 espécies de aves, como por exemplos: PeriquitoTuim, Caboclinhos, Casaca-de-couro, Saíra-amarela, Vem-vem,Pica-pau-de-pedra, Beija-flor Tesourão, Galo-de-campina, Bacurau,Balança-rabo-de-chapéu-preto,”Gaviões”,Rouxinol,Rolinha-vermelha,Rolinha-branca,etc. Durante todo o percurso caminhado cada vez mais a natureza parecia mais bela, com paisagens exuberantes em seus contrastes, entre as diferentes tonalidades de verde da vegetação, as formações rochosas de cores azuis,cinzas,pretas,amarelas e laranjas e o céu branco-acinzentado, um paraíso pra ninguém colocar defeito.
Grupo Onça Pintada apreciando a paisagem belíssima na região do Letreiro.
Formação rochosa no curso do Rio Trairi,Letreiro,Campo Redondo,RN.

Piscinas naturais,Letreiro,Campo Redondo,RN.
Piscinas naturais,Letreiro,Campo Redondo,RN.
Grupo Onça Pintada(GOP) na região do Letreiro,Campo Redondo,RN.
   Após cerca de 5 horas caminhando,escalando, observando, registrando, aprendendo e ensinando,nos despedimos do “Letreiro”, convictos do seu potencial biológico-geológico e cultural, prometemos a nós mesmos voltar outra vez, e de preferência na companhia do guia Cláudio, um nativo mateiro experiente, conhecedor por excelência da região, fauna e flora de Campo Redondo.
Antiga ponte que foi arrastada durante a grande enchente de 1981 em Campo Redondo,RN.
   Ainda nessa cidade podemos observar uma ponte antiga inteira que foi arrastada pela força das águas da grande enchente em 1981,onde o açude Mãe D’Água teve o seu rompimento durante aquele dia 1º de abril de 1981, arrastando a ponte que ficava sobre o Rio Trairi. A Ponte é considerada como marco histórico daquela tragédia.
Posteriormente continuamos nossa excursão rumo a cidade de Santa Cruz, onde iríamos visita o Museu Rural Auta Pinheiro Bezerra e o Alto de Santa Rita de Cássia. Chegando nesse município nos informamos com os moto-taxistas como chegar ao museu que estar localizado na Fazenda Boa Hora na zona rural da cidade de Santa Cruz ,distante  8 km da cidade.
Fazenda Boa Hora,Museu Auta Pinheiro Bezerra,Santa Cruz,RN.
   Deixando a rodovia BR-226 seguimos pela pista asfaltada por dentro da cidade de Santa Cruz na pista que vai pra Coronel Ezequiel, deixamos essa pista asfaltada próximo a uma Subestação de Energia,seguindo uma estrada de terra sob orientação de placas que indicam a direção onde se encontra o Museu. A estrada é relativamente boa(sem chuvas), no caminho passamos por várias fazendas seguindo sempre a orientação das placas.
Grupo Onça Pintada próximo a entrada do Museu Auta Pinheiro Bezerra,Santa Cruz,RN.
   Ao chegarmos ao Museu fomos bem recebidos pelas guias que já sabiam de nossa vinda, pois havíamos agendado a visita com antecedência.
Capela da Fazenda Boa Hora,Museu Auta Pinheiro Bezerra,Santa Cruz,RN.
Oratórios na Capela da Fazenda Boa Hora;Museu Auta Pinheiro Bezerra,Santa Cruz,RN.
   A guia principal apresentou-se e começamos a visitação pela Capela da Fazenda,passando em seguida por várias cômodos temáticos, como a sala do vaqueiro,sala dos brinquedos,etc,sendo a parte interna maior do Museu, a casa da fazenda onde se encontram uma grande variedade de objetos antigos organizados também de acordo com temas gerais, como por exemplo, na sala encontra-se cadeiras antigas dos pais próximo a uma cadeira chamada “namoradeira” onde os futuros namorados se conheciam um sentado com as pernas pra um lado e outro com as pernas pro lado oposto, sem poderem se beijarem ou se acariciarem; uma estante com vários modelos de telefones antigos, câmeras fotográficas antigas e modernas, uma belíssima coleção de rádios e televisores, máquinas de costuras, diferentes modelos de relógios de parede, móveis com madeira bem trabalhada,coleção de pilões,entre outros objetos como as correntes do cativeiro do poeta Fabião das Queimadas (1848-1928), que comprou sua carta de alforria com sua poesia e tocando rabeca.
Grupo Onça Pintada(GOP) visitando o acervo do Museu Auta Pinheiro Bezerra,Santa Cruz,RN.
GOP na sala do vaqueiro;Museu Auta Pinheiro Bezerra,Santa Cruz,RN.
GOP visitando a sala dos brinquedos no Museu Auta Pinheiro Bezerra,Santa Cruz,RN.
Acervo do Museu Auta Pinheiro Bezerra,Santa Cruz,RN.
Acervo do Museu Auta Pinheiro Bezerra,Santa Cruz,RN.
Relógios do acervo do Museu Auta Pinheiro Bezerra,Santa Cruz,RN.
Objeto da coleção de móveis do Museu Auta Pinheiro Bezerra,Santa Cruz,RN.
 Acervo do Museu Auta Pinheiro Bezerra,Santa Cruz,RN.
   Enquanto que na parte externa do Museu observamos 20 modelos de cercas, a casa de taipa e ovenaria, o jardim das Cactáceas,o jardim das lembranças, a árvore da felicidade, alguns modelos de carros-de-bois, moendas e outras máquinas.
Carros de bois do Museu Auta Pinheiro Bezerra,Santa Cruz,RN.
Moenda,do acervo do Museu Auta Pinheiro Bezerra,Santa Cruz,RN.
Máquinas do acervo do Museu Auta Pinheiro Bezerra,Santa Cruz,RN.
   Após a visita agradável e culturalmente enriquecedora ao Museu Rural Auta Pinheiro Bezerra partimos em direção ao Complexo Turístico-religioso Santa Rita de Cássia localizado próximo a BR-226. Chegando lá, registramos a beleza e a grandiosidade da estátua vista de perto, e também a presença de muitos visitantes, inclusive de outros estados, como da Paraíba. Devido a proximidade com a BR-226 muitos transeuntes que trafegam por essa rodovia resolvem tirar alguns minutos da sua viagem para conhecer a maior estátua católica do mundo, medindo 56 metros de altura.
Parte superior da Estátua de Santa Rita de Cássia,Santa Cruz,RN.
Estátua de Santa Rita de Cássia,Santa Cruz,RN.
Complexo Turístico-Religioso Santa Rita de Cássia,Santa Cruz,RN.
Grupo Onça Pintada no Alto de Santa Rita de Cássia,Santa Cruz,RN.
   Erguida em concreto, medindo 56 metros de altura (42 da imagem, 6 de base e 8 do resplendor), ela foi construída pelo escultor Alexandre Azedo, auxiliado por 30 operários. O artista é filho de Armando Lacerda, responsável pela construção da estátua do Padre Cícero do Juazeiro do Norte, no Ceará. Já era tarde,começava a escurecer, quando saímos de Santa Cruz em direção a Parnamirim, cidade onde residem esses norte-riograndenses apaixonados pela biodiversidade e história potiguar, conhecidos como Grupo Onça Pintada ou simplesmente GOP.

DICAS
Quer conhecer a região do Letreiro e ou Sítio Arqueológico do Letreiro em Campo Redondo? Entre em contato com o guia Cláudio pelo telefone: (84) 8793-6191.
Quer visitar  O Museu Rural Auta Pinheiro Bezerra? Agendamentos poderão ser feitos através do telefone: (84) 9982 3518. Falar com o Sr. Elias Damasceno. O Museu está aberto para visitação aos sábados e domingos, das 9 às 17 horas.
PARA CONHECER A FAUNA E FLORA VISTA NESSA EXCURSÃO OU EM OUTRAS,ACESSE:http://faunaefloradorn.blogspot.com.br/
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