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terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Expedição à Região Seridó Potiguar

Grupo Onça Pintada na frente da Igreja do Rosário em Acari,Rio Grande do Norte.
   Nos dias 22 e 23 de novembro de 2014 o grupo formado apenas por Elias,Francisco e Luís viajou aos municípios de Acari, Jardim do Seridó, Parelhas e Carnaúba dos Dantas, tendo como principais objetivos conhecer e registrar a atual situação do açude gargalheiras, visitar ao Museu do Sertanejo, apreciar o Geosítio Pedra Lavrada, praticar trekking ao longo do curso do rio Seridó, observar a fauna e flora da região do Seridó, encontrar o Sítio arqueológico Tanques, ir ver o Sítio arqueológico Mirador e o açude Boqueirão em Parelhas, subir no Monte do Galo e conhecer pelo menos um Sítio arqueológico em Carnaúba dos Dantas.
   Partimos de Parnamirim as 4:30h da manhã pela Rodovia BR-101 passando pelo território dos municípios de Macaíba, deixando-a em seguida continuando nossa viagem pela Rodovia BR-226,  atravessando o território de Bom Jesus,Senador Eloy de Souza,Serra Caiada,Tangará, até chegarmos a Santa Cruz, onde paramos para o desjejum, tomando café com vista para o Complexo Turístico-religioso Santa Rita de Cássia. Em seguida continuamos nossa viagem passando por Campo Redondo, Currais Novos e por volta das 7:30h chegamos a cidade de Acari, conhecida nacionalmente como a "cidade mais limpa do Brasil".
Grupo Onça Pintada na frente da Igreja do Rosário em Acari,Rio Grande do Norte.
   O tempo estava nublado, nuvens escuras no céu, parecia que ia chover naquele dia pra alegrar os sertanejos que lutam a centenas de anos com o problema climático das prolongadas estiagens nessa região de clima semiárido. Primeiramente visitamos o templo principal da Igreja Católica de Acari, a Igreja Matriz que data de 1863, um prédio com duas torres, de grande beleza arquitetônica. Mais adiante fizemos uma parada obrigatória pra quem quer conhecer  a riqueza da história e cultura do Seridó, em especial da cidade de Acari, com destaque para os ciclos do algodão e do gado nessa região, estamos falando do grande Museu do Sertanejo ou Museu de Acari localizado no prédio onde funcionava a antiga Casa da Câmara e Cadeia.
Membros do Grupo Onça Pintada(GOP) em visita ao Museu do Sertanejo ou Museu de Acari.
Membros do Grupo Onça Pintada(GOP) em visita ao Museu do Sertanejo ou Museu de Acari.
Membro do Grupo Onça Pintada(GOP) observa peças do Museu do Sertanejo ou Museu de Acari.
Igreja de Nossa Senhora do Rosário em Acari/RN.
    Após uma viagem no tempo através da observação,análise e discussão sobre os objetos que compõe o acervo do Museu, fomos em direção ao "açude gargalheiras"(a Barragem Marechal Dutra) que abastece os municípios de Acari e Currais Novos e infelizmente nesse momento ele atingiu o menor volume de água desde a sua inauguração. Apesar da situação bastante crítica o sertanejo não perde a fé e continua acreditando que o "inverno" está próximo e será muito bom.
Vista parcial do Açude Gargalheiras em Acari com o tempo nublado.
Açude Gargalheiras em Acari,com o menor volume de água desde a sua inauguração
   Mesmo em período de seca, a paisagem no entorno do Gargalheiras, incluindo a cadeia de montanhas, a vegetação e a fauna típica da Caatinga que encantam com a sua beleza ímpar. Para nossa surpresa as nuvens escuras não eram totalmente passageiras, houve sim algumas pancadas de chuvas rápidas com o sol entre nuvens, aumentando ainda mais a esperança do seridoense de que um inverno bom está a caminho.
Alguns representantes da fauna do Seridó que foram observados e fotografados nessa Expedição.
Flores de apenas duas espécies de plantas da Caatinga Seridoense que vimos nessa viagem.
   Demos continuidade a nossa jornada, pois ainda havia muitas coisas interessantes a conhecer. Nosso segundo destino: Jardim do Seridó. Já nessa cidade nos informamos com o moto-taxistas como chegaríamos a Ponte Pedra Lavrada, deixamos a zona urbana e após cerca de 3 quilômetros avistamos esta abandonada sobre os filetes de água do rio Seridó.
Ponte da Pedra Lavrada.

Membros do GOP com guia local, praticando trekking no curso do Rio Seridó em Jardim do Seridó/RN.
   Sob a orientação do senhor Expedito, deixamos o carro nas proximidades e iniciamos nosso trekking margeando o curso do rio citado, em busca de algumas supostas gravuras rupestres em baixo relevo registradas nas rochas que margeiam o rio Seridó, contemplando e fotografando a fauna e flora local. Observamos muitas espécies de aves, como por exemplo a arribaças, martim-pescador-pequeno, socó-boi,socozinhos, garças,casaca-de-couro-da-lama, sabiá-do-campo,galos-de-campina,golinha,vem-vem, sibites, periquitos-da-caatinga,entre outras espécies animais. Após mais de duas horas(ida e volta) de trilha em relevo acidentado partimos de volta para o centro da cidade pra almoçarmos.
Igreja Santuário do Sagrado Coração de Jesus em Jardim do Seridó/RN
Igreja de Nossa Senhora da Conceição em Jardim do Seridó/RN.
Primeira casa de Jardim do Seridó/RN. Ela mantêm a fachada da época quando foi construída.
   Depois do almoço e de alguns minutos de descanso, fomos conhecer alguns prédios históricos como a primeira casa da cidade, onde curiosamente se hospedou  Frei Caneca, a Igreja Matriz Nossa Senhora do Ó, O Santuário do Sagrado Coração de Jesus, a Casa de Cultura, etc. Em seguida deixamos a cidade no sentido da Serra da Rajada a fim de encontrarmos o Sítio Tanques, onde se encontra um Sítio arqueológico com pinturas e gravuras rupestres. Chegando lá, fomos muito bem recebidos pela Senhora Gercina Eduarda da Silva, a dona da propriedade onde está o Sítio. Ela nos ensinou como chegarmos até lá e facilmente o encontramos. Durante a pequena trilha observamos muitas arribaças em grande bandos de passagem, muitos quero-queros,sibites, rolinha branca, rolinha-roxa, coruja-buraqueira,beija-flor,bacurauzinho-da-caatinga, etc. Em relação ao Sítio arqueológico está localizado a margem de um riacho,com um tanque natural maior, com algumas pinturas de cor predominantemente vermelha  bem "deterioradas" devido aos diversos fatores ambientais, em um dos grandes blocos dos dois que se destacam na paisagem acima do curso do riacho, e algumas gravuras em baixo relevo tanto nos blocos de rochas acima do riacho como no afloramento rochoso mais em baixo onde durante grandes invernos a água cobria.
Sítio Tanques em Jardim do Seridó/RN.
Gravuras rupestres da tradição Itaquatiara no Sítio arqueológico Tanques em Jardim do Seridó.
Gravura rupestre da tradição Itaquatiara no Sítio arqueológico Tanques em Jardim do Seridó.
Gravuras rupestre em baixo relevo no Sítio arqueológico Tanques em Jardim do Seridó.
   Esse pequeno local é muito bonito mesmo durante a seca onde as flores amarelas das caibreiras(ipê) contrastam com o céu azul, ao som do canto dos sibites e com os voos dos malabaristas beija-flores em busca de néctar em suas flores, além do espetáculo do por do sol e a fenomenal revoada de grandes bandos de aves que se reúnem no mesmo local pra dormir.
Por do sol no caminho pra Parelhas/RN.
Chegando em Parelhas/RN.
   Posteriormente continuamos nosso roteiro agora em direção a cidade de Parelhas, onde dormimos e na manhã do domingo após o desjejum iniciamos nossas atividades, primeiramente visitando um dos maiores "açudes" do Rio Grande do Norte, conhecido como Açude Boqueirão(Açude Ministro João Alves ) que é o Rio Seridó represado pela Barragem do Boqueirão.
Membros do Grupo Onça Pintada em trilha do Sítio Mirador em Parelhas/RN.
Vista parcial do "Açude" boqueirão em Parelhas/RN.
Membros do Grupo Onça Pintada no mirante na trilha do Mirador em Parelhas/RN.
   Bem próximo dali, encontra-se um dos principais Sítios arqueológicos do nosso estado, o Sítio Mirador que fica a cerca de 1500 metros do rio Seridó, possui pinturas da Tradição Nordeste da Subtradição Seridó (MARTIN, 1985), onde foram exumados “restos de enterramentos infantis parcialmente incinerados, mobiliário fúnebre composto de contas de colar de osso e de conchas marinhas, algumas lascas de quartzo sem retoque e uma de sílex finamente retocada; os restos malacológicos coletados na mesma área dos enterramentos poderiam fazer parte do enxoval ou do banquete fúnebre”. A datação radiocarbônica proveniente dos sepultamentos infantis em contato com as pinturas do Mirador, confirmou que essas foram feitas por indivíduos que viviam na região a pelo menos cerca de  9410 anos antes do presente.
Membros do Grupo Onça Pintada na passarela do Sítio arqueológico Mirador em Parelhas/RN.
"Caçada." Pinturas rupestres da tradição Nordeste, Subtradição Seridó no Sítio Mirador em Parelhas/RN.
 "Canoa".Pinturas rupestres da tradição Nordeste, Subtradição Seridó no Sítio Mirador em Parelhas/RN.
"Uso de planta". Pinturas rupestres da tradição Nordeste, Subtradição Seridó no Sítio Mirador em Parelhas/RN.
 "Animal Mamífero". Pintura rupestre da tradição Nordeste, Subtradição Seridó no Sítio Mirador em Parelhas/RN.
   A nossa visita a esse sítio foi rápida, pois já havíamos visitado o mesmo em 2009. Ao longo da trilha em meio a vegetação típica da Caatinga, observamos alguns aves que não conhecemos e outras bem conhecidas desse Bioma, como por exemplo o Cancão, Galo de campina, Periquito Tuim, entre outras mais comuns também no litoral, como Anum-branco,Anum-preto,etc. Esse sítio agora se encontra bem estruturado com escadarias de alvenaria de pedra, plataformas e passarelas em madeira de lei, além de fixação de placas de sinalização, obras realizadas em parceria entre o  Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Rio Grande do Norte (IPHAN-RN) e a prefeitura de Parelhas que ficou responsável pela manutenção das estruturas e o controle da visitação. Em seguida partimos rumo a Carnaúba dos Dantas.
Membro do GOP no início da subida do Monte do Galo em Carnaúba dos Dantas/RN.
Membro do GOP no alto Monte do Galo em Carnaúba dos Dantas/RN.
Membro do GOP na sala de promessas do Monte do Galo em Carnaúba dos Dantas/RN.
Membros do GOP no cume do Monte do Galo em Carnaúba dos Dantas/RN.
   Assim que chegamos nessa cidade, iniciamos a subida no Monte do Galo que é considerado um Geossítio, onde para grande maioria dos visitantes o aspecto religioso sobrepõe o apelo geológico, já que foi fundado em 1927 e desde então recebe fiéis em romarias com bênçãos de Nossa Senhora das Vitórias, sendo considerado  um dos principais pontos turísticos religiosos do RN. "No local há capela, cruzeiro, estátua do galo(escultura em forma de galo que pesa 5 toneladas), sala dos ex-votos e os 12 passos de Cristo ao longo da subida.
Estátua do galo no Monte do Galo em Carnaúba dos Dantas/RN.
   Possui altura média de 155 metros, possibilitando ao visitante apreciar a vista panorâmica da cidade e das inúmeras serras da região." No topo do Monte é possível ter uma visão panorâmica da cidade e de seus arredores cercada por um complexo de serras, se destacando a imagem do Castelo do Bivar, que foi construído inspirado em um castelo renascentista francês(arquitetura medieval).
Castelo Bivar em Carnaúba dos Dantas/RN.
   Em seguida descemos do Monte do Galo e seguimos rumo ao Sítio Xiquexique acompanhados de um nativo que nos guiou até o local através das trilhas que foram revitalizadas, diferente de quando estive lá em 2008, agora os principais Sítios arqueológicos desse município apresentam escadarias de alvenaria de pedra, plataformas e passarelas em madeira de lei, além de fixação de placas de sinalização, obras realizadas em parceria entre o  Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Rio Grande do Norte (IPHAN-RN) e a prefeitura de Carnaúba dos Dantas que ficou responsável pela manutenção das estruturas e o controle da visitação. Debaixo de sol forte em horário inadequado seguimos pelas trilhas com nosso guia até o Sítio Xiquexique 4 localizado em uma serra nos arredores da cidade de Carnaúba dos Dantas, onde são encontradas pinturas rupestres da Tradição Nordeste Sub-tradição Seridó.
Membros do Grupo Onça Pintada visitando o Sítio Xiquexique 4 em Carnaúba dos Dantas/RN.
Pinturas rupestres da tradição Nordeste do Sítio Xiquexique 4 em Carnaúba dos Dantas/RN.

   Ademais conhecemos também o Sítio Xiquexique 2. Esse apresenta-se bem ingrime, a 390 m acima do nível do mar, é uma subida cansativa para aqueles menos preparados fisicamente. "Ele forma um abrigo sob rocha com face ordenada para Sul, sendo voltado para o Rio Carnaúba. Apresenta pinturas rupestres nas cores vermelha e amarela, classificadas como sendo pertencentes à Tradição Nordeste e Subtradição Seridó, representando principalmente cenas de dança, caça e sexo."
Membros do Grupo Onça Pintada em visita ao Sítio Xiquexique 2 em Carnaúba dos Dantas/RN.
Pinturas rupestres da Tradição Nordeste do Sítio Xiquexique 2 em Carnaúba dos Dantas/RN.
Pinturas rupestres da Tradição Nordeste do Sítio Xiquexique 2 em Carnaúba dos Dantas/RN.
   Após a descida do paredão onde se encontra esse último Sítio decidimos não continuar a trilha para o Sítio Xiquexique 1 pois já era meio-dia, estávamos sem água e tínhamos programado  finalizar nossa viagem as 13:00h. Voltamos pra cidade, onde almoçamos e em seguida partimos de volta em direção a Parnamirim, terra desses andarilhos apaixonados pela natureza e história potiguar.

PARA CONHECER A FAUNA E FLORA VISTA NESSA EXCURSÃO OU EM OUTRAS,ACESSE:http://faunaefloradorn.blogspot.com.br/
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domingo, 3 de março de 2013

EXPEDIÇÃO A MATA ESTRELA, BAÍA FORMOSA, RN.

Placa na entrada da Mata Estrela,em Baía Formosa,Rio Grande do Norte.
       No dia 12 de fevereiro de 2013, o grupo onça pintada formado por Elias, Júlio, Hugo, Kécio,Aligleydson e Francisco viajou a Baía Formosa,último município do litoral sul do Rio Grande do Norte, especificamente até o Parque Florestal Senador Antonio Farias,conhecido como Mata Estrela.

INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE A MATA ESTRELA.
       O Parque Florestal Senador Antonio Farias é conhecido popularmente como Mata Estrela porque no “passado a Mata originalmente tinha cinco extremidades que em vista área lembrava uma estrela”. A Mata Estrela é o maior remanescente de Mata Atlântica sobre dunas litorâneas do Brasil, tendo uma área total de 2039,93h, sendo cerca de 1.888,78 de floresta, 81,64 de dunas e 69,73 de lagoas que são dezenove, sendo a maior e mais conhecida a lagoa de Coca Cola ou Araraquara. Com o objetivo de preservar a maior área do Bioma de Mata Atlântica do estado do Rio Grande do Norte, o governo estadual tombou a Mata Estrela com uma Reserva de Proteção Estadual em agosto de 1990. Em 1993, a UNESCO tombou a Mata Atlântica brasileira como Reserva da Biosfera, transformando-a em Patrimônio da Humanidade, portanto a Mata Estrela apesar de pertencer a Destilaria Baía Formosa, ela também é Patrimônio Mundial da Humanidade. Em 2000 ela foi transformada em uma Reserva Particular do Patrimônio Natural, sendo agora oficialmente uma Unidade de Conservação que tem como objetivo proteger todo patrimônio natural ali presente, sendo permitido aos proprietários o desenvolvimento de atividades sustentáveis na área da RPPN. Para mim a Mata Estrela é o último paraíso potiguar, o principal refúgio da biodiversidade da Mata Atlântica norte-rio-grandense, um ecossistema litorâneo que possui grande diversidade biológica pelo menos em nível da região Nordeste, onde ainda é encontrado animais ameaçados de extinção como o macaco guariba (Alouatta belzebul belzebul), o pintor verdadeiro(Tangara fastuosa), o macaco-galego(Cebus flavius), uma espécie rara em via de extinção e árvores nativas de grande porte como o pau-brasil(Caesalpinia echinata) ainda encontrado facilmente no interior da Floresta.
O macaco Guariba,a Gameleira milenar e a Lagoa de Coca Cola são as principais "atrações turísticas" da Mata Estrela.
       INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE BAÍA FORMOSA.
       O município de Baía Formosa estar localizado na região do litoral agreste do estado do Rio Grande do Norte, distante 90 quilômetros da capital potiguar. O Nome Baía Formosa foi dado pelos portugueses que ao explorarem nossa costa marítima e virem à enseada que forma a única baía do litoral potiguar ficaram fascinados com a beleza dessa e exclamaram “Que baía formosa”. Baía Formosa no começo do século XVI,quando ainda era habitada por nativos indígenas, chamava-se ARETIPICABA, ou “bebedouro dos papagaios”. Depois foi habitada pelos “portugueses invasores”, que denominavam a enseada de ARATIPICABA.
Grupo Onça Pintada(GOP) na entrada da Mata Estrela,em Baía Formosa,Rio Grande do Norte.
       BREVE DESCRIÇÃO DA EXPEDIÇÃO.
       Chegamos a entrada da Mata Estrela as 6:32h e infelizmente não encontramos nenhum vigia na guarita,mas como sabemos que na guarita da praia sempre tem vigia entramos em acordo de que passaríamos lá no dia seguinte para deixarmos nossa contribuição financeira que é destinada para manutenção dos vigias que cuidam da área. Com mochilas nas costas, passos firmes e câmera fotográfica em mãos iniciamos nosso trekking pela trilha da gameleira, observando a vegetação principalmente de porte arbustivo e arbóreo, ouvindo cigarras estridulando, alguns pássaros como o vem-vem (Euphonia chlorotica) cantando, o som de animais se deslocando na serrapilheira, o ruído das árvores através do contato de seus galhos, e em fim chegamos a uma das principais atrações da Mata Estrela, uma gameleira (Ficus catappifolia) fantástica com altura estimada de 32 metros, cerca de 18 metros de circunferência(tronco), uma copa medindo 35 metros de diâmetro e idade estimada em 1000 anos segundo o Engenheiro Florestal Nivaldo Araujo.
Vista parcial do tronco da Gameleira(Ficus catappifolia) milenar.
Equipe de Buchicraft próximo a Gameleira(Ficus catappifolia) milenar.
        Após apreciarmos sua beleza continuamos a caminhada ecológica pela mesma trilha, onde podemos ouvir também a vocalização dos guaribas e mais na frente à trilha se bifurca, onde seguimos pela trilha a direita que é a trilha do capitão, essa também se birfuca com a trilha do pagão, mas na frente à esquerda, mantivemo-nos na mesma que é conhecida como trilha do pau Brasil por cerca de 30 minutos em seguida retornamos para a trilha do pagão que vai terminar próximo a lagoa de coca cola onde iríamos acampar.
        A trilha do Pagão é uma das principais trilhas para se chegar a lagoa de Coca Cola,sendo esta a maior lagoa da Mata Estrela e a mais bonita. O nome Coca Cola para a lagoa de Araraquara é porque suas águas parecem com o refrigerante de mesmo nome e são escuras por causa da matéria orgânica proveniente de folhas e raízes das plantas e do solo que é rico em ferro e iodo.
Vista parcial da Lagoa da Coca Cola ou Araraquara,Mata Estrela,Baía Formosa.
       Durante essa trilha e nas outras já citadas podemos observar algumas plantas que conhecemos de porte herbáceo como Xinxo(Hohenbergia ramageana Mez.),Antúrio Selvagem(Anthurium affine),Coroa-de-frade(Melocactus bahiensis); de porte arbustivo, muricis(Byrsonima sp.), maçaranduba de tabuleiro(Manilkara triflora), facheiro(Cereus squamosus), árvores como Sucupira(Bowdichia virgilioides HBK), Maçaramduba(Manilkara aff.amazonica Hub.), Pau ferro(Cassia apoucoita Aubl.), Cawaçu(Coccoloba sp.), Pau Brasil(Caesalpinia echinata L.), Amescla(Protium heptaphyllum),Jatobá(Hymenaea courbaril L.),Pau d´arco (Zollernia ilicifolia Vog), plantas trepadeiras como os cipós, que são encontradas em diversos tamanhos,espessuras e formas, orquídeas trepadeiras como a Baunilha(Vanila sp.) de onde é extraído a “vanillina” (C8H8O3), que é o princípio ativo da baunilha, cujo nome comercial atualmente é: “extrato de Vanilla”, sendo usada para aromatizar chocolates, doces e tortas.
Tronco de Amescla(Protium heptaphyllum).
Tronco e parte da copa de Maçaranduba(Manilkara aff. amazonica Hub).
Alguns Cipós ou Lianas que são encontrados facilmente na Mata Estrela. 
Flor de Mandacaru( Cereus sp.)
        Entre os animais a diversidade também é imensa, podemos observar animais invertebrados da classe dos Insetos (Insecta),como: libélulas(Ordem Odonata),gafanhotos,grilos,esperanças(Ordem Orthoptera), percevejos,cigarras(Ordem Hemiptera),besouros(Ordem Coleoptera),borboletas e mariposas(Ordem Lepidoptera),abelhas,vespas,formigas(Ordem Hymenoptera),moscas,mosquitos,mutucas(Ordem Diptera),baratas(Ordem Blattaria),Louva deus(Mantodea), Cupins(Ordem Isoptera),Tesourinha(Ordem Dermaptera), aracnídeos,como aranhas das famílias Saltcidae,Lycosidae,Argiopidae,Ctenidae e Theraphosidae( caranguejeiras) e embuás(Diplopoda).
Alguns representantes do táxon dos Insecta(Insetos) observados nessa Excursão à Mata Estrela. 
Alguns exemplares de Louva-deus(Inseto;Mantodea) observados nessa Excursão à Mata Estrela. 
Alguns representantes do táxon Aracnida(Aracnídeos) observados nessa Excursão à Mata Estrela. 
       Entre os animais vertebrados visualizados durante as trilhas em direção a lagoa de coca cola, destacamos os primatas,representados pelos sagui-de-tufos-brancos(Callithrix jacchus L.), o macaco prego galego(Cebus flavius) e o macaco bugio(Alouatta belzebul belzebul) que estavam em grupo de aproximadamente 5 indivíduos adultos com pelo menos 1 filhote(visto), muitas aves,como sibite(Coereba flaveola),bem te vi(Pitangus sulphuratus),Rouxinol(Troglodytes aedon) suiriri(Tyrannus melancholicus), rolinha-caldo-de-feijão(Columbina talpacoti),rolinha cinza(Columbina passerina L.),rolinha branca(Columbina picui),juriti(Leptotila verreauxi),vem vem(Euphonia chlorotica),sanhaçu(Thraupis sayaca),balança-rabo-de-chapéu-preto(Polioptila plumbea),Pula-pula (Basileuterus culicivorus), um casal de Psittacideos,que parecia ser o periquito-rei(Aratinga cactorum) sobrevoando a floresta,entre outras aves que não conhecemos. Entre os répteis,vimos o téiu(Tupinambis teguixin), bico doce(Ameiva ameiva),Calanguinho(Cnemidophorus occelifer),Lagartixa(Tropidurus hispidus),Lagarto Enyalius catenatus,Coleodactylus meridionalis, a cauda de duas pequenas serpentes terrícolas que não foi possível visualiza-las completamente e consequentemente identifica-las. Ainda ouvimos o canto da rã cachorro(Physalaemus cuvieri),anfíbio anuro.
Guariba(Alouatta belzebul belzebul),primata ameaçado de extinção.
Sagui-de-tufos-brancos(Callithrix jacchus L.).
Rolinha Cinzenta(Columbina passerina L.).
Da esquerda para a direita: Enyalius catenatus e Coleodactylus meridionalis.
       Após horas caminhando, observando e fotografando a biodiversidade local chegamos a lagoa de coca cola que estava cheia de turistas que foram trazidos por treze bugueiros que ali estavam e de urubus-de-cabeça-preta(Coragyps atratus).
Aglomerado de Urubus-comum(Coragyps atratus) na lagoa da Coca Cola.
Urubu-Comum((Coragyps atratus) em vôo.
       Descansamos um pouco e em seguida renovamos nossas energias banhando-se nas águas “medicinais e rejuvenescentes” da lagoa de Coca Cola e em seguida Kércio e Alygleidson fizeram fogo sem fósforo onde preparamos nosso almoço e posteriormente nos alimentamos.
Kércio defumando a carne para almoço e janta.
       No final da tarde montamos as barracas e a noite após comermos o “pão do caçador vitaminado” feito por Kércio com auxílio de todos, combinamos os horários da Honda a noite no acampamento e as pessoas que seriam responsáveis pela segurança na área de camping. Durante a noite na Honda feita por Francisco e Kércio, eles conseguiram ver apenas um anfíbio anuro, a rã-manteiga (Leptodactylus macrosternum) e ouvirem a vocalização de outro anfíbio anuro, a pererca(Dendropsophus minutus),viram também peixes como traíra(Hoplias malabarica) e tilápia(Oreochromis niloticus) nas águas rasas da borda da lagoa, e ainda conseguiram pescar uma traíra.
Vista lateral da rã manteiga(Leptodactylus macrosternum) as margens da lagoa da Coca Cola.
Traíra(Hoplias malabarica) após captura.
       No dia seguinte de manhã cedo vimos duas jaçanãs(Jacana jaçanã L.),quero quero(Vanellus chilensis),lavadeira-mascarada(Fluvicola nengeta L.) uma ave aquática que parecia ser um paturi na lagoa da Coca Cola,além de muitas pegadas de raposa(Cerdocyon thous),guaxinim(Procyon cancrivorus) e algumas que pareciam com as pegadas de gato-do-mato-pequeno(Leopardus tigrinus) nas margens dessa lagoa.
Amanhecer as margens da lagoa da Coca Cola.
Vista Panorâmica(era pra ser) da Lagoa da Coca Cola.
        Desmontamos o acampamento e continuamos nossa expedição com o objetivo de atravessarmos a floresta e chegarmos ao rio Sagi que fica um pouco depois do limite da área da reserva. Foi uma grande aventura caminhar no interior da floresta, subindo e descendo morros, em meio a vegetação fechada em alguns momentos, até chegarmos a borda da Mata, numa área de tabuleiro bem antropizada,com uma plantação de coqueiros(Cocos nucifera) e outras plantas como Catanduva(Piptadenia moniliformis Benth),Mangabeira(Hancornia speciosa Gomes),Cajueiro bravo(Curatella americiana L.),Jenipapo bravo(Tocoyena sellowiana),Juazeiro(Zizyphus joazeiro),Sapucaia(Lecythis pisonis Cambess),Cajarana(Simaba sp.), e etc.
Grupo Onça Pintada(GOP) coletando água em nascente.
       Andando na borda da Mata debaixo de “sol escaldante” com pouca água potável, até que conseguimos encontrar uma nascente, onde nos abastecemos e mais na frente chegamos a um braço do rio Sagi.
Grupo Onça Pintada(GOP) descansando ao longo dos 20 quilômetros de caminhada no 2º dia.
Grupo Onça Pintada(GOP) se preparando para passar sobre "braço" do Rio Sagi.
          Depois de muito análise e diálogo resolvemos voltar seguindo em direção a praia caminhando através de uma área aberta, onde é cultivada a cana-de-açucar. Nesse ambiente vimos o urubu-de-cabeça-vermelha(Cathartes aura), um gavião-de-cauda-curta(Buteo brachyurus),um carcará(Polyborus plancus), uma coruja-buraqueira(Athene cunicularia),anuns branco(Guira guira) e anuns preto(Crotophaga ani). Após cerca de 7 horas caminhando em floresta de grande porte, subindo e descendo morros, em tabuleiros, em dunas, ainda tivemos que atravessar um braço do rio Sagi para chegarmos a comunidade de Sagi, e em fim a desembocadura do rio Sagi(rio dos uçais) onde almoçamos uma deliciosa macaxeira com carne de sol a beira mar.
Grupo Onça Pintada(GOP) almoçando na praia de Sagi,em Baía Formosa.
       Depois do almoço e abastecidos com água potável voltamos caminhando lentamente pela praia, sendo acompanhado em boa parte do percurso por um simpático cachorro até chegarmos a lagoa de Coca Cola durante o pôr do sol.
Grupo Onça Pintada(GOP) na praia de Sagi voltando para a Mata Estrela.
Grupo Onça Pintada(GOP) na praia da Cutia,em Baía Formosa.
         Para renovar as forças após cerca de 20 quilômetros de caminhada ecológica por diversos tipos de terreno, um merecido banho de coca cola (lagoa). Em seguida montamos acampamento, fizemos um fogo e em seguida a maioria foi dormir e outros, como Francisco e Júio ficaram na Honda e observando a fauna noturna, inclusive Francisco entrou em uma parte da lagoa cheia de junco onde havia um coral executado por machos da perereca(Dendropsophus minutus) e conseguiu fotografar essa espécie.
Perereca(Dendropsophus minutus) vocalizando à noite sobre junco na lagoa da Coca Cola.
       Na manhã seguinte a maioria acordou mais tarde e após o desjejum o grupo formado por Kércio,Alygleidson e Hugo decidiu seguir para a cidade de Baía Formosa para se abastecerem de água e almoçarem lá, enquanto os demais participantes dessa expedição ficaram banhando-se na lagoa e contemplando a natureza loca. Por volta das 12h00minh voltamos pela trilha que vai para Baía Formosa por dentro da Mata, passando por várias lagoas que devido as poucas chuvas dos últimos meses estavam com níveis de água bem baixos.
 Lagoa temporária,uma das 19 lagoas da Mata Estrela.
       Ao chegarmos a terceira lagoa onde foi possível banhar-se seguimos por uma trilha que termina na trilha do pagão, de onde continuamos o trekking observando e fotografando a biodiversidade da Mata Estrela. Depois de 2 horas e 30 minutos caminhando chegamos a guarita principal onde já estavam os demais participantes dessa excursão, e 30 minutos depois o nosso transporte chegou, nos trazendo de volta para nossa terra, Parnamirim.
       Durante os "dois dias e meio" caminhamos cerca de 40 quilômetros em trilhas abertas e largas,em trilhas abertas e estreitas,sem guia em meio a vegetação fechada,em ambientes sombreados no interior da floresta,em ambientes abertos na borda da mata, em tabuleiros,em restinga,em vales dunares,subimos e descemos dunas nuas e dunas com vegetação,atravessamos rios a pé com água na cintura, em fim foi uma grande aventura em contato com a natureza, sempre respeitando-a,aprendendo muito com ela e com todos aqueles que participaram dessa Expedição.

PARA CONHECER A FAUNA E FLORA VISTA NESSA EXCURSÃO OU EM OUTRAS,ACESSE:http://faunaefloradorn.blogspot.com.br/
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