domingo, 3 de março de 2013

EXPEDIÇÃO A MATA ESTRELA, BAÍA FORMOSA, RN.

Placa na entrada da Mata Estrela,em Baía Formosa,Rio Grande do Norte.
       No dia 12 de fevereiro de 2013, o grupo onça pintada formado por Elias, Júlio, Hugo, Kécio,Aligleydson e Francisco viajou a Baía Formosa,último município do litoral sul do Rio Grande do Norte, especificamente até o Parque Florestal Senador Antonio Farias,conhecido como Mata Estrela.

INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE A MATA ESTRELA.
       O Parque Florestal Senador Antonio Farias é conhecido popularmente como Mata Estrela porque no “passado a Mata originalmente tinha cinco extremidades que em vista área lembrava uma estrela”. A Mata Estrela é o maior remanescente de Mata Atlântica sobre dunas litorâneas do Brasil, tendo uma área total de 2039,93h, sendo cerca de 1.888,78 de floresta, 81,64 de dunas e 69,73 de lagoas que são dezenove, sendo a maior e mais conhecida a lagoa de Coca Cola ou Araraquara. Com o objetivo de preservar a maior área do Bioma de Mata Atlântica do estado do Rio Grande do Norte, o governo estadual tombou a Mata Estrela com uma Reserva de Proteção Estadual em agosto de 1990. Em 1993, a UNESCO tombou a Mata Atlântica brasileira como Reserva da Biosfera, transformando-a em Patrimônio da Humanidade, portanto a Mata Estrela apesar de pertencer a Destilaria Baía Formosa, ela também é Patrimônio Mundial da Humanidade. Em 2000 ela foi transformada em uma Reserva Particular do Patrimônio Natural, sendo agora oficialmente uma Unidade de Conservação que tem como objetivo proteger todo patrimônio natural ali presente, sendo permitido aos proprietários o desenvolvimento de atividades sustentáveis na área da RPPN. Para mim a Mata Estrela é o último paraíso potiguar, o principal refúgio da biodiversidade da Mata Atlântica norte-rio-grandense, um ecossistema litorâneo que possui grande diversidade biológica pelo menos em nível da região Nordeste, onde ainda é encontrado animais ameaçados de extinção como o macaco guariba (Alouatta belzebul belzebul), o pintor verdadeiro(Tangara fastuosa), o macaco-galego(Cebus flavius), uma espécie rara em via de extinção e árvores nativas de grande porte como o pau-brasil(Caesalpinia echinata) ainda encontrado facilmente no interior da Floresta.
O macaco Guariba,a Gameleira milenar e a Lagoa de Coca Cola são as principais "atrações turísticas" da Mata Estrela.
       INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE BAÍA FORMOSA.
       O município de Baía Formosa estar localizado na região do litoral agreste do estado do Rio Grande do Norte, distante 90 quilômetros da capital potiguar. O Nome Baía Formosa foi dado pelos portugueses que ao explorarem nossa costa marítima e virem à enseada que forma a única baía do litoral potiguar ficaram fascinados com a beleza dessa e exclamaram “Que baía formosa”. Baía Formosa no começo do século XVI,quando ainda era habitada por nativos indígenas, chamava-se ARETIPICABA, ou “bebedouro dos papagaios”. Depois foi habitada pelos “portugueses invasores”, que denominavam a enseada de ARATIPICABA.
Grupo Onça Pintada(GOP) na entrada da Mata Estrela,em Baía Formosa,Rio Grande do Norte.
       BREVE DESCRIÇÃO DA EXPEDIÇÃO.
       Chegamos a entrada da Mata Estrela as 6:32h e infelizmente não encontramos nenhum vigia na guarita,mas como sabemos que na guarita da praia sempre tem vigia entramos em acordo de que passaríamos lá no dia seguinte para deixarmos nossa contribuição financeira que é destinada para manutenção dos vigias que cuidam da área. Com mochilas nas costas, passos firmes e câmera fotográfica em mãos iniciamos nosso trekking pela trilha da gameleira, observando a vegetação principalmente de porte arbustivo e arbóreo, ouvindo cigarras estridulando, alguns pássaros como o vem-vem (Euphonia chlorotica) cantando, o som de animais se deslocando na serrapilheira, o ruído das árvores através do contato de seus galhos, e em fim chegamos a uma das principais atrações da Mata Estrela, uma gameleira (Ficus catappifolia) fantástica com altura estimada de 32 metros, cerca de 18 metros de circunferência(tronco), uma copa medindo 35 metros de diâmetro e idade estimada em 1000 anos segundo o Engenheiro Florestal Nivaldo Araujo.
Vista parcial do tronco da Gameleira(Ficus catappifolia) milenar.
Equipe de Buchicraft próximo a Gameleira(Ficus catappifolia) milenar.
        Após apreciarmos sua beleza continuamos a caminhada ecológica pela mesma trilha, onde podemos ouvir também a vocalização dos guaribas e mais na frente à trilha se bifurca, onde seguimos pela trilha a direita que é a trilha do capitão, essa também se birfuca com a trilha do pagão, mas na frente à esquerda, mantivemo-nos na mesma que é conhecida como trilha do pau Brasil por cerca de 30 minutos em seguida retornamos para a trilha do pagão que vai terminar próximo a lagoa de coca cola onde iríamos acampar.
        A trilha do Pagão é uma das principais trilhas para se chegar a lagoa de Coca Cola,sendo esta a maior lagoa da Mata Estrela e a mais bonita. O nome Coca Cola para a lagoa de Araraquara é porque suas águas parecem com o refrigerante de mesmo nome e são escuras por causa da matéria orgânica proveniente de folhas e raízes das plantas e do solo que é rico em ferro e iodo.
Vista parcial da Lagoa da Coca Cola ou Araraquara,Mata Estrela,Baía Formosa.
       Durante essa trilha e nas outras já citadas podemos observar algumas plantas que conhecemos de porte herbáceo como Xinxo(Hohenbergia ramageana Mez.),Antúrio Selvagem(Anthurium affine),Coroa-de-frade(Melocactus bahiensis); de porte arbustivo, muricis(Byrsonima sp.), maçaranduba de tabuleiro(Manilkara triflora), facheiro(Cereus squamosus), árvores como Sucupira(Bowdichia virgilioides HBK), Maçaramduba(Manilkara aff.amazonica Hub.), Pau ferro(Cassia apoucoita Aubl.), Cawaçu(Coccoloba sp.), Pau Brasil(Caesalpinia echinata L.), Amescla(Protium heptaphyllum),Jatobá(Hymenaea courbaril L.),Pau d´arco (Zollernia ilicifolia Vog), plantas trepadeiras como os cipós, que são encontradas em diversos tamanhos,espessuras e formas, orquídeas trepadeiras como a Baunilha(Vanila sp.) de onde é extraído a “vanillina” (C8H8O3), que é o princípio ativo da baunilha, cujo nome comercial atualmente é: “extrato de Vanilla”, sendo usada para aromatizar chocolates, doces e tortas.
Tronco de Amescla(Protium heptaphyllum).
Tronco e parte da copa de Maçaranduba(Manilkara aff. amazonica Hub).
Alguns Cipós ou Lianas que são encontrados facilmente na Mata Estrela. 
Flor de Mandacaru( Cereus sp.)
        Entre os animais a diversidade também é imensa, podemos observar animais invertebrados da classe dos Insetos (Insecta),como: libélulas(Ordem Odonata),gafanhotos,grilos,esperanças(Ordem Orthoptera), percevejos,cigarras(Ordem Hemiptera),besouros(Ordem Coleoptera),borboletas e mariposas(Ordem Lepidoptera),abelhas,vespas,formigas(Ordem Hymenoptera),moscas,mosquitos,mutucas(Ordem Diptera),baratas(Ordem Blattaria),Louva deus(Mantodea), Cupins(Ordem Isoptera),Tesourinha(Ordem Dermaptera), aracnídeos,como aranhas das famílias Saltcidae,Lycosidae,Argiopidae,Ctenidae e Theraphosidae( caranguejeiras) e embuás(Diplopoda).
Alguns representantes do táxon dos Insecta(Insetos) observados nessa Excursão à Mata Estrela. 
Alguns exemplares de Louva-deus(Inseto;Mantodea) observados nessa Excursão à Mata Estrela. 
Alguns representantes do táxon Aracnida(Aracnídeos) observados nessa Excursão à Mata Estrela. 
       Entre os animais vertebrados visualizados durante as trilhas em direção a lagoa de coca cola, destacamos os primatas,representados pelos sagui-de-tufos-brancos(Callithrix jacchus L.), o macaco prego galego(Cebus flavius) e o macaco bugio(Alouatta belzebul belzebul) que estavam em grupo de aproximadamente 5 indivíduos adultos com pelo menos 1 filhote(visto), muitas aves,como sibite(Coereba flaveola),bem te vi(Pitangus sulphuratus),Rouxinol(Troglodytes aedon) suiriri(Tyrannus melancholicus), rolinha-caldo-de-feijão(Columbina talpacoti),rolinha cinza(Columbina passerina L.),rolinha branca(Columbina picui),juriti(Leptotila verreauxi),vem vem(Euphonia chlorotica),sanhaçu(Thraupis sayaca),balança-rabo-de-chapéu-preto(Polioptila plumbea),Pula-pula (Basileuterus culicivorus), um casal de Psittacideos,que parecia ser o periquito-rei(Aratinga cactorum) sobrevoando a floresta,entre outras aves que não conhecemos. Entre os répteis,vimos o téiu(Tupinambis teguixin), bico doce(Ameiva ameiva),Calanguinho(Cnemidophorus occelifer),Lagartixa(Tropidurus hispidus),Lagarto Enyalius catenatus,Coleodactylus meridionalis, a cauda de duas pequenas serpentes terrícolas que não foi possível visualiza-las completamente e consequentemente identifica-las. Ainda ouvimos o canto da rã cachorro(Physalaemus cuvieri),anfíbio anuro.
Guariba(Alouatta belzebul belzebul),primata ameaçado de extinção.
Sagui-de-tufos-brancos(Callithrix jacchus L.).
Rolinha Cinzenta(Columbina passerina L.).
Da esquerda para a direita: Enyalius catenatus e Coleodactylus meridionalis.
       Após horas caminhando, observando e fotografando a biodiversidade local chegamos a lagoa de coca cola que estava cheia de turistas que foram trazidos por treze bugueiros que ali estavam e de urubus-de-cabeça-preta(Coragyps atratus).
Aglomerado de Urubus-comum(Coragyps atratus) na lagoa da Coca Cola.
Urubu-Comum((Coragyps atratus) em vôo.
       Descansamos um pouco e em seguida renovamos nossas energias banhando-se nas águas “medicinais e rejuvenescentes” da lagoa de Coca Cola e em seguida Kércio e Alygleidson fizeram fogo sem fósforo onde preparamos nosso almoço e posteriormente nos alimentamos.
Kércio defumando a carne para almoço e janta.
       No final da tarde montamos as barracas e a noite após comermos o “pão do caçador vitaminado” feito por Kércio com auxílio de todos, combinamos os horários da Honda a noite no acampamento e as pessoas que seriam responsáveis pela segurança na área de camping. Durante a noite na Honda feita por Francisco e Kércio, eles conseguiram ver apenas um anfíbio anuro, a rã-manteiga (Leptodactylus macrosternum) e ouvirem a vocalização de outro anfíbio anuro, a pererca(Dendropsophus minutus),viram também peixes como traíra(Hoplias malabarica) e tilápia(Oreochromis niloticus) nas águas rasas da borda da lagoa, e ainda conseguiram pescar uma traíra.
Vista lateral da rã manteiga(Leptodactylus macrosternum) as margens da lagoa da Coca Cola.
Traíra(Hoplias malabarica) após captura.
       No dia seguinte de manhã cedo vimos duas jaçanãs(Jacana jaçanã L.),quero quero(Vanellus chilensis),lavadeira-mascarada(Fluvicola nengeta L.) uma ave aquática que parecia ser um paturi na lagoa da Coca Cola,além de muitas pegadas de raposa(Cerdocyon thous),guaxinim(Procyon cancrivorus) e algumas que pareciam com as pegadas de gato-do-mato-pequeno(Leopardus tigrinus) nas margens dessa lagoa.
Amanhecer as margens da lagoa da Coca Cola.
Vista Panorâmica(era pra ser) da Lagoa da Coca Cola.
        Desmontamos o acampamento e continuamos nossa expedição com o objetivo de atravessarmos a floresta e chegarmos ao rio Sagi que fica um pouco depois do limite da área da reserva. Foi uma grande aventura caminhar no interior da floresta, subindo e descendo morros, em meio a vegetação fechada em alguns momentos, até chegarmos a borda da Mata, numa área de tabuleiro bem antropizada,com uma plantação de coqueiros(Cocos nucifera) e outras plantas como Catanduva(Piptadenia moniliformis Benth),Mangabeira(Hancornia speciosa Gomes),Cajueiro bravo(Curatella americiana L.),Jenipapo bravo(Tocoyena sellowiana),Juazeiro(Zizyphus joazeiro),Sapucaia(Lecythis pisonis Cambess),Cajarana(Simaba sp.), e etc.
Grupo Onça Pintada(GOP) coletando água em nascente.
       Andando na borda da Mata debaixo de “sol escaldante” com pouca água potável, até que conseguimos encontrar uma nascente, onde nos abastecemos e mais na frente chegamos a um braço do rio Sagi.
Grupo Onça Pintada(GOP) descansando ao longo dos 20 quilômetros de caminhada no 2º dia.
Grupo Onça Pintada(GOP) se preparando para passar sobre "braço" do Rio Sagi.
          Depois de muito análise e diálogo resolvemos voltar seguindo em direção a praia caminhando através de uma área aberta, onde é cultivada a cana-de-açucar. Nesse ambiente vimos o urubu-de-cabeça-vermelha(Cathartes aura), um gavião-de-cauda-curta(Buteo brachyurus),um carcará(Polyborus plancus), uma coruja-buraqueira(Athene cunicularia),anuns branco(Guira guira) e anuns preto(Crotophaga ani). Após cerca de 7 horas caminhando em floresta de grande porte, subindo e descendo morros, em tabuleiros, em dunas, ainda tivemos que atravessar um braço do rio Sagi para chegarmos a comunidade de Sagi, e em fim a desembocadura do rio Sagi(rio dos uçais) onde almoçamos uma deliciosa macaxeira com carne de sol a beira mar.
Grupo Onça Pintada(GOP) almoçando na praia de Sagi,em Baía Formosa.
       Depois do almoço e abastecidos com água potável voltamos caminhando lentamente pela praia, sendo acompanhado em boa parte do percurso por um simpático cachorro até chegarmos a lagoa de Coca Cola durante o pôr do sol.
Grupo Onça Pintada(GOP) na praia de Sagi voltando para a Mata Estrela.
Grupo Onça Pintada(GOP) na praia da Cutia,em Baía Formosa.
         Para renovar as forças após cerca de 20 quilômetros de caminhada ecológica por diversos tipos de terreno, um merecido banho de coca cola (lagoa). Em seguida montamos acampamento, fizemos um fogo e em seguida a maioria foi dormir e outros, como Francisco e Júio ficaram na Honda e observando a fauna noturna, inclusive Francisco entrou em uma parte da lagoa cheia de junco onde havia um coral executado por machos da perereca(Dendropsophus minutus) e conseguiu fotografar essa espécie.
Perereca(Dendropsophus minutus) vocalizando à noite sobre junco na lagoa da Coca Cola.
       Na manhã seguinte a maioria acordou mais tarde e após o desjejum o grupo formado por Kércio,Alygleidson e Hugo decidiu seguir para a cidade de Baía Formosa para se abastecerem de água e almoçarem lá, enquanto os demais participantes dessa expedição ficaram banhando-se na lagoa e contemplando a natureza loca. Por volta das 12h00minh voltamos pela trilha que vai para Baía Formosa por dentro da Mata, passando por várias lagoas que devido as poucas chuvas dos últimos meses estavam com níveis de água bem baixos.
 Lagoa temporária,uma das 19 lagoas da Mata Estrela.
       Ao chegarmos a terceira lagoa onde foi possível banhar-se seguimos por uma trilha que termina na trilha do pagão, de onde continuamos o trekking observando e fotografando a biodiversidade da Mata Estrela. Depois de 2 horas e 30 minutos caminhando chegamos a guarita principal onde já estavam os demais participantes dessa excursão, e 30 minutos depois o nosso transporte chegou, nos trazendo de volta para nossa terra, Parnamirim.
       Durante os "dois dias e meio" caminhamos cerca de 40 quilômetros em trilhas abertas e largas,em trilhas abertas e estreitas,sem guia em meio a vegetação fechada,em ambientes sombreados no interior da floresta,em ambientes abertos na borda da mata, em tabuleiros,em restinga,em vales dunares,subimos e descemos dunas nuas e dunas com vegetação,atravessamos rios a pé com água na cintura, em fim foi uma grande aventura em contato com a natureza, sempre respeitando-a,aprendendo muito com ela e com todos aqueles que participaram dessa Expedição.

PARA CONHECER A FAUNA E FLORA VISTA NESSA EXCURSÃO OU EM OUTRAS,ACESSE:http://faunaefloradorn.blogspot.com.br/
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

PEDALADA À MACAÍBA, RN. VISITA A CACHOEIRA, O BAOBÁ DE JUNDIÁ E A BARRAGEM DE TABATINGA.


      No dia 26 de julho de 2009 o grupo formado por Luís Mossoró, Francisco, Felipe e Júlio viajou de bicicleta até o município de Macaíba, com o objetivo de conhecer e banhar-se nas águas da cachoeira de Jundiaí, visitar o baobá de Jundiaí e conhecer a barragem de Tabatinga.
ALGUMAS INFORMAÇÕES SOBRE MACAÍBA.
      “O povoado que deu início ao que é hoje a cidade de Macaíba se chamava inicialmente Coité, uma referência à planta que era comum na região. Mas em 1855 o senhor Fabrício Gomes Pedrosa dono do Engenho Jundiaí, durante uma festa em sua casa apresentou a proposta da mudança do nome da comunidade para Macaíba, uma palmeira belíssima que chamava a atenção do Comerciante Fabrício e o novo nome da localidade foi aceita por todos que ali estavam passando a se chamar Macaíba. Macaíba estar localizada na região Metropolitana de Natal, distante 14 quilômetros da capital do Rio Grande do Norte, contando com uma população de 69.467 habitantes.” 
BREVE DESCRIÇÃO DA PEDALADA EM MACAÍBA.             
      Saímos as 5:55h pedalando pela Rodovia Federal “BR-306” até a primeira passarela, e na primeira lombada após a mesma deixamos a rodovia, e viramos a esquerda seguindo por uma rua calçada levemente íngreme, que no ponto mais alto continua a direita onde enrolamos a direita, e mais na frente essa pista se alarga e bifurca-se onde continuamos pedalando na pista a direita, seguindo a fiação de alta tensão presente na pista até então não calçada, e após umas descidas e subidas curtas, apontamos na cachoeira de Jundiaí as 6:50h.
       Ambiente muito bonito, porém com muita interferência humana ao ponto de “encimentarem” o barranco onde escoa a água do riacho, formando a cachoeira de aproximadamente 4,5m de altura que só ocorre na época de muitas chuvas.
       Banhamos-nos bastante na cachoeira e posteriormente seguimos para o baobá(Adosonia digitata L.) também localizado na comunidade de Jundiaí, árvore de origem africana de grandes proporções e aparentemente bem conservado, localizado as margens de uma pista.
      Esse exemplar tem cerca de 15 metros de altura, sue tronco tem 12m90cm de circunferência e diâmetro de 4,10m. Acredita-se que as sementes dessa grande árvore foram trazida pelos escravos que foram traficados da África. Além desse grande espécime de baobá(quer dizer árvore de mil anos) encontrado em Macaíba temos mais 13 exemplares registrados no Rio Grande do Norte, sendo esses encontrados em Nísia Floresta(um grande), em Assú temos registro oficial de 11(5 bem grandes) espécimes às margens de uma das maiores lagoas do nosso estado, a lagoa do Piató, e na Rua São José em Lagoa Seca, na cidade do Natal, temos conforme o Dr. Rashford, o segundo maior da América Latina e Caribe. Segundo Nilo Pereira (citado por Diógenes) o aviador e escritor Saint-Exupéry era apaixonado pela árvore gigante encontrada em Natal que ele  conheceu ao lado do Piloto Mermoz, e dizem que fez desenhos ingênuos de baobás e dunas (seriam as de Natal?) que são encontradas no livro “O Pequeno Príncipe”. 

      Após apreciarmos sua beleza e fotografarmos o baobá de Jundiaí continuamos nossa pedalada em direção a Barragem de Tabatinga passando pela lateral do Centro de Neurociência que estava em construção, e mais na frente sobre um rio a partir do qual deixamos o asfalto e seguimos por trilhas com muita lama, estrada de bairro com terreno acidentado, após várias subidas e descidas debaixo de “sol escaldante” paramos em uma casa isolada na zona rural onde reabastecemos nossas garrafas com água e nos informamos a respeito de um possível atalho para chegarmos a Barragem de Tabatinga. Depois de muita pedalada em trilhas com lama atravessamos mais um rio que provavelmente era o que passamos no início dessa pedalada.

        Em seguida poucos metros a diante voltamos novamente a pista asfaltada e mantivemo-nos firmes no pedal encarando ladeiras enormes e o “sol quente” convictos de que chegaríamos o mais breve possível a barragem. Um pouco mais na frente paramos em uma mercearia (bodega) onde descansamos um pouco e comemos muitas frutas e bolachas “renovando nossas energias”. Descansados e de “bucho cheio” voltamos a pedalar rumo à barragem que estava mais próxima.
      Deixamos o asfalto novamente e seguimos em estrada de barro, cheia de buracos e após muitas horas de pedaladas chegamos a Barragem de Tabatinga que tem capacidade para armazenar 90 milhões de metros cúbicos de água.

      Não havia ninguém lá, apenas muita água a perder de vista, observamos o ambiente por cerca de meia hora, vimos gavião Caboclo e Carcará, anuns, mas o sol em seu ápice proporcionou nossa volta rapidamente ao asfalto e mais na frente “pegamos” outra pista de bairro, andando entre vegetação de grande porte e principalmente no meio da vegetação de tabuleiro com muita interferência humana e após horas de pedalada desapontamos no Bairro de Bela Vista (Nova Esperança). 
      Em fim depois de cerca de 40 quilômetros de pedalada, estávamos novamente em casa, de volta a nossa terra, Trampolim da Vitória.


Até a próxima!!!  

PARA CONHECER A FAUNA E FLORA VISTA NESSA EXCURSÃO OU EM OUTRAS, ACESSE: http://faunaefloradorn.blogspot.com.br/
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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

TREKKING EM GOIANINHA, RN.

Grupo Onça Pintada(GOP) no início da trilha com frutos de Sapucaia em mãos.
      No dia 27 de dezembro de 2009 o grupo formado por Francisco, Júlio, Filipe e Luíz Mossoró viajou do município de Parnamirim até Goianinha, com o objetivo de realizar trekking em um resquício de Mata Atlântica as margens de Canaviais, localizado no lado esquerdo da rodovia BR-101, no sentido Parnamirim para Goianinha,após cerca de 4 quilômetros da "ladeira do Ribeiro".
ALGUMAS INFORMAÇÕES SOBRE GOIANINHA.
      O município de Goianinha estar localizado na Região Agreste do estado do Rio Grande do Norte, distante 54 quilômetros de Natal a capital do estado. As principais economias desse município são: a cana-de-açucar, sendo um dos maiores produtores do estado; a carcinicultura e a pecuária. O povoado que deu início a formação do que é hoje o município de Goianinha era chamado no princípio de Goiana, palavra de origem tupi guarani que significa “abundância de caranguejos”. A partir do século XVIII, o nome do povoado mudou para Goianinha, diferenciando-se da Goiana Grande do estado de Pernambuco.
Luíz,Guia e Integrante do GOP.
      BREVE DESCRIÇÃO DA CAMINHADA ECOLÓGICA.
Essa excursão foi sugerida e guiada por Luíz Mossoró, pois este já conhecia as trilhas, já que havia percorrido-as anteriormente de bike junto com seus colegas. Ao descermos do carro na BR-101 caminhamos cerca de 1,5 km entre grandes áreas cultivadas com cana-de-açucar até a entrada da Mata onde encontramos muitos frutos de Sapucaia no chão.
Canavial próximo a BR-101 em Goianinha,RN.
      Iniciamos o trekking em uma trilha estreita com densa vegetação constituída principalmente por arbustos e árvores, algumas com cerca de 12 metros de altura, entre as espécies típicas da nossa flora que conhecemos e vimos nessa trilha, estava a Sapucaia(Lecythis pisonis),Pau-ferro(Caesalpinia ferrea),Pau-mulato(Myrcia multiflora), Cauaçú(Coccoloba sp),Cajueiro(Anacardium occidentale),Pata de Vaca(Bauhinia cheilantha),Mangabeira(Hancornia speciosa),Murici(Byrsonima sp.), etc.
Sapucaia(Lecythis pisonis) com frutos do tipo pixídio, uma forma de cumbuca com tampa.
Flor e folhas de Murici.(Byrsonima sp.)
Inseto Orthoptera conhecido como Esperança devorando o pólen da flor.
Integrantes do GOP no final da trilha próximo ao canavial.
      Durante a trilha principal que terminou num canavial alto,presenciamos também alguns animais,como um mamífero, um pequeno grupo de sagui-de-tufos-brancos(Callithrix jacchus) muito arisco, muitas aves entre estas, algumas que conhecemos como gavião carijó (Rupornis magnirostris),carcará(Polyborus plancus),bem-te-vi(Pitangus sulphuratus) e muitos pássaros pequenos cantando no interior da floresta, três répteis, calango(Cnemidophorus ocellifer),lagarto(Enyalius catenatus),lagartixa(Tropidurus torquatus) dois anfíbios anuros, um destes não foi possível identificar, mas o outro era uma rã-touro(Lithobates catesbeianus),uma espécie invasora.
Lagarto(Enyalius catenatus) camuflado sobre cumpizeiro.
GOP caminhando na trilha.
      Além dos animais vertebrados vimos também muitos invertebrados, principalmente representantes do Filo (táxon) Artropoda, muitas cigarras vocalizando, percevejos, formigas em grandes ninhos como a espécie Asteca sp.,vespas,ninho de abelha com favos sem mel, besouro,gafanhotos,esperanças,inclusive uma dessas estava alimentando-se de pólen,borboletas,embuá,concha de molusco,etc.
Percevejo ou barata?
Formigueiro de Asteca sp.
Favos de mel abandonados.
Esperança alimentando-se de grãos pólen numa flor.
Inseto Orthoptera,conhecido popularmente como esperança.
Borboleta alimentando-se de néctar em flor.
Borboleta, Inseto Lepidoptera.
Borboleta Estaladeira Hamadryas feronia,esta espécie têm o hábito de pousar de cabeça para baixo.
Embuá ou piolho de cobra,um Diplopoda.
Concha de molusco abandonado.
      Quase no final da trilha principal paramos para observar umas plantas às margens de um riacho e de repente percebemos um som como se fosse de algum objeto cortando madeira, avançamos em silêncio até que presenciamos uma clareira no interior da floresta com muitos arbustos e árvores derrubadas, algumas estacas empilhadas, mais na frente vimos rapidamente um homem com um facão em mãos e uma mulher, eles ficaram assustados com nossa presença, e poucos metros a frente uma carroça com uma égua que provavelmente era o veículo utilizado para carregar as estacas,frutos daquele desmatamento. Não sabemos se eles tinham autorização para cortar aqueles arbustos e árvores, pensamos que não, pois eles não quiseram se aproximar de nós e posteriormente pararam de derrubar a vegetação nativa daquela mata.
Riacho,em destaque uma palmeira(família Arecaceae) e outras plantas.
Carroça e égua em clareira de mata pronta pra carregar estacas.
GOP subindo na trilha.
GOP em área mais aberta da trilha.
      Na volta saímos da trilha principal e encontramos um riacho que foi represado formando um pântano com muitas plantas aquáticas como, por exemplo, Lírio de água (Nymphaea sp.) e aninga(Montrichardia linifera).
Pântano cheio de plantas e rãs-touro.
     Nessa área alagada vimos muitos indivíduos da espécie rã-touro (Lithobates catesbeianus), um animal invasor que foi introduzido no Brasil a partir da década de 1940 com o objetivo de ser cultivada comercialmente a fim de explorar sua carne e subprodutos como o couro.
Rã-touro (Lithobates catesbeianus),espécie não brasileira.
      Entretanto a partir de 1990 a ranicultura começou a fracassar proporcionando o abandono de instalações onde elas eram criadas por muitos produtores permitindo a fuga desses animais que se adaptaram muito bem a muitos de nossos ecossistemas naturais. O Grande problema é que devido ao seu hábito alimentar generalista, comportamento predatório voraz e porte corporal avantajado, ela pode interferir na estabilidade de comunidades onde historicamente não era encontrada. Essas interferências geram impactos ecológicos, tais como a extinção e declínio de espécies nativas, que são decorrentes da competição exclusiva, da predação, da transmissão de patogenicidades e até mesmo da hibridização com outras espécies.
GOP próximo a um pivô central,responsável por irrigar a plantação de cana-de-açucar.
      Após sairmos da Mata seguimos em direção a rodovia e durante o percurso vimos uma grande máquina,um pivô central que é responsável por irrigar a plantação de cana-de-açucar. Depois de cerca de 13 quilômetros de trekking chegamos a estrada onde partimos de ônibus de volta para Parnamrim, terra desses grandes andarilhos.

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