sábado, 7 de dezembro de 2013

LAJES: SERRA DO FEITICEIRO,SÍTIO ARQUEOLÓGICO,FAUNA E FLORA.

Grupo Onça Pintada e Trilheiros da Caatinga se preparando para começar a trilha.
 INTRODUÇÃO.
     No dia 03 de novembro de 2013 o grupo formado pelos integrantes Chagas,Elias,Francisco, Julio e Luís Mossoró, viajou ao município de Lajes com os objetivos de subir a Serra do Feiticeiro,conhecer o Sítio Arqueológico da Fazenda Santa Rosa,que apresenta arte rupestre das tradições Itaquatiara e Agreste,além de conhecer um pouco da fauna e flora local.
RESUMO DA HISTÓRIA DE LAJES-RN. 
     "Os primeiros sinais de povoamento da região ocorreram com a existência, nos idos de 1825, de uma fazenda pertencente a Francisco Pedro de Gomes Melo. A área de clima seco e agradável passou, cada vez mais, a receber famílias de trabalhadores da agricultura. A localidade de Lajes, por estar estrategicamente situada nos caminhos do sertão, desde o início tornou-se um importante ponto de encontro e descanso de boiadeiros e fazendeiros em viagens à procura de negócios, que aproveitavam a parada obrigatória para refrescar o comboio e completar a carga vendida. No ano de 1914 dois episódios mudaram a vida de Lajes: em julho aconteceu a chegada da estrada de ferro, impulsionando o desenvolvimento da região; e no dia 25 de novembro, pela lei nº360, sancionada pelo então Governador do Estado, Dr. Joaquim Ferreira Chaves Filho, foi criado o município de Lajes. A cidade mudou de nome no dia 30 de dezembro de 1943, passando a se chamar Itaretama,que significa região de pedras. Dez anos depois, em 11 de dezembro de 1953, voltou a se chamar Lajes. Lajes estar localizado na Região Central do estado, distante 125 quilômetros da capital Natal, estando a 199 metros de altitude, contando com área de 668,6 quilômetros quadrados de extensão."(Transcrito do livro: Terras Potiguares, da autoria de Marcus César Cavalcanti de Morais.).
BREVE DESCRIÇÃO DA EXPEDIÇÃO.
     Saímos de Parnamirim por volta das 5:00h da manhã e chegamos as 6:30h em Lajes, indo direto tomar café na Churrascaria Chimarrão ao lado do Posto de Combustível Odom. Em seguida encontramos o grupo Trilheiros da Caatinga que foram nossos guias durante toda excursão em Lajes. 
Vista parcial da Serra do Feiticeiro, Lajes,Rio Grande do Norte.
     Começamos nossa trilha indo para a Serra do Feiticeiro,uma imensa formação geológica com pontos mais elevados em torno de 400 metros, que recebeu esse nome porque segundo uma lenda disseminada no município há muitos anos atrás, durante o processo "colonização"(de extermínio) dos nativos(índios) por parte dos Europeus,habitou um velho índio que escapou dos invasores escondendo-se nesse complexo serrano. Dizem que o velho xamã era descendente dos Tapuias,e que lá ele conseguiu conviver de maneira pacífica com os colonos que ali chegaram, devido principalmente aos seus conhecimentos com ervas medicinais, a partir dos quais realizava rituais,incensos e porções que curavam animais dos criadores da região e pessoas, sendo por isso denominado como o Feiticeiro da Serra.
Início da trilha principal na Serra do Feiticeiro,Lajes-RN.
     Depois de alguns minutos em estrada pedregosa na zona rural de Lajes, chegamos a base da principal trilha que termina na capela, esta fica próximo ao local onde foi encontrado uma criança morta em 1903, que segundo moradores mais antigos era um menino que se chamava José Alexandrino, tinha cinco anos e acompanhava a mãe quando pastoreava cabras pelas redondezas da serra que se perdeu da mãe e após três dias de buscas, encontraram-no em estado de putrefação, deitado sob uma pedra,perdido havia morrido de sede e fome. Desde então os Lajenses reconhecem o local como solo sagrado.
Integrante do GOP de lado de Imburuna(Bursera leptophloeos) na subida da Serra do Feiticeiro.

     Começamos a trilha íngrime tranquilamente com os amigos do grupo "Trilheiros da Caatinga", onde observamos uma vegetação típica de Caatinga,com predominância de plantas de porte herbáceo e arbustivo,com a imensa maioria dos espécimes descopadas devido ao período de seca, uma adaptação da flora desse tipo de Caatinga, evitando a perca de água através da transpiração que ocorreria através dos estômatos presentes nas folhas. Os poucos exemplares que vimos com frequência que ainda não haviam perdido suas folhas, pertenciam a espécie Aroeira, e as únicas espécies vegetais que coloriam a acinzentada paisagem rupestre eram os Mandacarus,Xiquexiques,Facheiros,Coroas-de-frade, representantes da família Cactaceae e algumas "bromélias" da família Bromeliaceae.
Xique Xique Pilosocereus gounellei.
Coroa de frade,família Cactaceae.
Coroa de frade,família Cactaceae.
Representante típico da família Bromeliaceae.
      Quanto a fauna durante a trilha, a grande maioria dos animais não quis se apresentar, apenas a lagartixa comum e poucas aves,destacando-se a presença do periquito-da-caatinga. Durante a caminhada algumas paradas estratégicas para contemplar,fotografar e ouvir os guias falarem um pouco sobre a Serra do Feiticeiro,as lendas da região e suas aventuras ali vívidas, e pouco tempo depois chegamos a Capela que possui um cruzeiro fincado em sua frente pelos religiosos que todos os anos fazem romaria ao local sempre no dia 03 de maio.
Grupo Onça Pintada subindo a Serra do Feiticeiro com guias.
Capela que recebe romeiros todos os dias 3 de maio.
Grupo Onça Pintada e guias descansando em frente a capela.
     Parada obrigatória para fotos e muita prosa e depois caminhamos até a Pedra do Anjo onde teriam encontrado o corpo de menino morto em 1903. Dali voltamos pois tínhamos um roteiro extenso para completarmos durante aquele dia. De volta a base da trilha fomos ainda visitarmos o início da Mina Boa Vista, adentramos apenas uns 80 metros por questões de segurança, o que foi suficiente para viajarmos no tempo e imaginarmos como teria sido o período de auge naquela mina e em outras da região. 

Grupo Onça Pintada na pedra do anjo,local onde encontraram o corpo de menino em 1903.
Grupo Onça Pintada na entrada da Mina Boa Vista 1.
Grupo Onça Pintada em galeria subterrânea na Mina Boa Vista 1 com o guia Cícero.
     Em seguida partimos em direção a cidade, onde abastecemos o transporte com combustível e continuamos nossa expedição pela zona rural de Lajes, agora em direção as terras da Fazenda Santa Rosa. Durante o percurso de cerca de 21 quilômetros de até as terra da fazenda, vimos algumas aves como muitos Periquito-da-caatinga,Galos-de-campina,Rolinha,Concriz, etc, e uma vegetação "esbranquiçada", típica desse tipo de Caatinga,que literalmente quer dizer "Mata branca", o que de fato é verdade nessa época no ano, com a seca.
Integrante do GOP no leito do rio seco entre formações rochosas onde se encontra muita arte rupestre.
 GOP no leito do rio seco entre formações rochosas onde se encontra muita arte rupestre
     Ao chegarmos ao local combinado,deixamos os carros e seguimos caminhando ao longo do curso de um rio seco por cerca de dois quilômetros e meio em busca da área onde tem belíssimas formações rochosas com muita gravuras e pinturas rupestres.
     No trajeto a biodiversidade se apresenta de várias formas,tamanhos e cores, como plantas das famílias Cactaceae,trapiás,coroa-de-frade,facheiro,mandacaru,Bromeliaceae,bromélias rupícolas e terrestres,Euphorbiaceae,urtigas,favela,Fabaceae,Angico-vermelho,Jurema-preta,Catingueira,Anacardiaceae,Aroeira,entre outras espécies vegetais; pequenas libélulas,borboletas,abelhas,aranhas,representantes típicos do diversificado grupo dos artrópodes; aves como Carcará,Gavião Carijó, Urubus, Rolinha-branca, Rolinha Cascavel,Rolinha-Vermelha, Concriz, Galo de Campina, Casaca de couro, Bem-ti-vi,além de algumas aves não identificadas por nós; alguns representantes dos répteis como lagartixa-comum,lagartixa-do-lajedo, lagartixa-da-caatinga, calanguinho e o maior presente da natureza durante a trilha a presença de uma belíssima cascavel com cerca de 1,30m de comprimento.
Representante típico da família Bromeliaceae.
Xique Xique Pilosocereus gounellei; Família:Cactaceae.
Quipá Tacinga inamoena; Família:Cactaceae..
Aroeira-do-Sertão Myracrodruon urundeuva.
     O integrante do Grupo Onça Pintada Francisco estava tentando fotografar um calanguinho na borda da vegetação quando de repente olhou para uma pedra próximo onde estava e viu a cascavel repousando numa cavidade entre as pedras, com uma teia de aranha próximo a entrada. Com objetivo de analisarmos suas condições físicas(saúde) e de fotografarmos tiramos cuidadosamente ela sob a orientação do Biólogo. O que vimos foi uma serpente com cerca de 1,30m,bem gorda,forte,saudável(aparentemente) com idade estimada em aproximadamente 4 anos. após algumas fotos ela voltou tranquilamente para sua "casa" sem manifestar nenhum sinal de stress ou agressividade.


Calanguinho forrageando Cnemidophorus ocellifer.
Lagartixa da Caatinga Phylopezus  periosus escondido em cavidade rochosa.

Lagartixa de lajedo Tropidurus semitaeniatus.
Cascavel Crotalus durissus.
     Mas na frente começamos a ver e analisar a enorme quantidade de desenhos e pinturas rupestres registradas nas formações rochosas que margeiam o leito do rio. Até onde fomos presenciamos principalmente a presença de arte rupestre da Tradição Itaquatiara, com muitas gravuras e inscrições em baixo relevo feitas nas rochas, são desenhos,linhas,círculos, de difícil interpretação até mesmo para os arqueólogos, e algumas gravuras foram feitas em baixo relevo e posteriormente foram pintadas. 
Seria a tentativa de representar a figura humana? Arte rupestre,Tradição Itacoatiara.

Se for um hominídeo por que será que ele foi representado com uma mão tão grande?
As gravura mais enigmática que vimos: seria a tentativa da representação de várias pessoas em plena Tradição Itacoatiara?

Inscrições da Tradição Itacoatiara. Seria uma forma de contagem? ou Seria apenas marcas deixadas por objetos sendo refinados?

Arte rupestre da Tradição Itacoatiara.

Arte rupestre da Tradição Itacoaatiara em primeiro plano e pinturas da Tradição Agreste em segundo. Figura antropomorfa.

Arte rupestre da Tradição Agreste. Animal quadrúpede com longo focinho?

Arte rupestre das Tradições Agreste e Itacoatiara. No centro Ave feita em baixo relevo e pintada posteriormente.
     Apesar da predominância dessa tradição nesse Sítio Arqueológico, existe também algumas pinturas rupestres da Tradição Agreste, representadas ali através das marcas de carimbo de mãos,grandes aves, figura antropomorfa isoladas,figuras zoomorfas isoladas, todas pintadas com coloração avermelhada. Após registrarmos tudo que foi possível caminhamos de volta debaixo de "sol escaldante" até o ponto inicial da trilha, onde nos hidratamos e depois seguimos para a cidade para almoçarmos. Após almoçarmos no "restaurante O Cabrito do João" às margens da BR-304 uma comida muita gostosa, voltamos a zona rural de Lajes para conhecermos um túnel centenário que foi construído cortando uma serra, com comprimento de aproximadamente 150 metros,talvez uns 4 metros de altura e cerca de 3m de largura.

Integrante do GOP na entrada do túnel da Ferrovia Lajes/Cerro Corá que nunca funcionou.
Morcegos no teto do Túnel da Ferrovia Lajes/Cerro Corá..
     O Túnel fica na Fazenda Arara distante cerca de 12 quilômetros da zona urbana de Lajes. Ele faria parte de uma enorme ferrovia que ligaria Lajes a Cerro Corá e consequentemente também a Caicó, mas ela nunca funcionou como estava planejado inicialmente. Segundo o Historiador Cícero do grupo Trilheiros da Caatinga, problemas financeiros levaram o Governo Federal a rescindir o contrato com a empresa construtura inglesa Great Western em 1920, assumindo ele as obras que foram abandonas com o passar do tempo. É um local fascinante, de beleza rústica, que mostra claramente como o ser humano tem o poder de modificar o meio ambiente em busca de facilitar sua vivência, já que por exemplo iria diminuir a dificuldade de escoamento de mercadorias e talvez facilitar o deslocamento de pessoas a diferentes regiões do nosso estado. Após atravessarmos o túnel chegamos até a construção da estrutura de pontilhão feita provavelmente com pedras extraídas do próprio túnel, com quase 100 anos "o paredão" continua intacto, o integrante Elias do Grupo Onça Pintada comentou: "é impressionante como estar ileso, parece até que foi feito ontem, tudo isso tem a grande contribuição do clima quente da região que a mantém bem conservado até hoje em termos estéticos".
Integrante do GOP sobre o pontilhão com cerca de 100 anos da ferrovia Lajes/Cerro Corá.
     O Clima é quente mas no momento da nossa estada ali o  tempo mudou, Com o crepúsculo, rapidamente começaram a se formar grandes nuvens escuras que vinham da região do Seridó, acompanhadas de relâmpagos e trovões, já era hora de encerrarmos nossa expedição, mesmo faltando conhecer a casa de pedra que ocorre ali perto. O tempo parecia ter sido programado minuciosamente,pois ao entrarmos no carro de apoio, as nuvens descarregaram,chuva forte, ocorrendo assim condensação, alegrando o final daquela grande Expedição. As 18:00h chegamos na cidade de Lajes, era o fim de uma grande aventura guiada pelo grupo "Trilheiros da Caatinga" que não tem medido esforços em conhecer e divulgar a cidade de Lajes, além de guiar grupos que tenham interesse em conhecer a cultura,história e natureza do município de Lajes. Depois de pagarmos o valor estabelecido pelos guias, nos cumprimentarmos, despedimo-nos felizes e convictos de termos alcançados nossos objetivos, a fim de divulgar mais um município do Rio Grande do Norte, sendo essa uma de nossas metas, mostrar o que cada município do RN tem de melhor para o mundo conhecer, valorizando nossa biodiversidade,nossa história e cultura.                        

DICAS:
Quer conhecer a Serra do Feiticeiro, Sítio Arqueológico da Fazenda Santa Rosa, Túnel da Fazenda Araras? Entre em contato com os guias: Cícero pelo tel:9603-5473; Leandro Souza pelo tel: 9938-0853 ou Eudes pelo tel: 9600-1659.
Onde almoçar uma comida gostosa em Lajes? No Restaurante O Cabrito do João" às margens da BR-304.
AGRADECIMENTOS ESPECIAIS:
O Grupo Onça Pintada agradece a todos que fazem o grupo Trilheiros da Caatinga, em especial aqueles que estiveram conosco nessa Expedição: Cícero,Leandro Souza,João Augusto e Ewerton. também não podemos esquecer do motorista do carro de apoio que esteve o dia inteiro conosco, e a todas as pessoas hospitaleiras que conhecemos em Lajes.



PARA CONHECER A FAUNA E FLORA VISTA NESSA EXCURSÃO OU EM OUTRAS,ACESSE:http://faunaefloradorn.blogspot.com.br/
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...